Sendo franco: uma das grandes perguntas para o mestre em uma campanha de academia é… “Tá, e agora”? Você montou seu campus e o povoou, estabeleceu o corpo docente, criou alguns colegas coadjuvantes, definiu quem vão ser os membros do conselho estudantil… tudo certo. Agora você precisa de uma trama. Entendem agora os motivos pelos quais eu apelei para os Battle Shōnen Academy anime — e não para eventuais exemplares dentro do gênero robôs gigantes?
Todo cenário precisa de problemas. E esses problemas precisam cair no colo dos seus jogadores. Simples assim. Por isso nós temos a criação de times especiais com permissão para usar seus poderes em missões específicas na maior parte dessas séries animadas! O problema aqui é uma contradição lógica: não é mais fácil usar pilotos da Brigada Ligeira Estelar para essas missões enquanto esses jovens, ainda verdes demais, ficam protegidos em seu campus?
Talvez o jeito mais sensato de se enquadrar a situação seja investir em problemas internos e iniciativas próprias pelo menos no início: questões de disciplina como desobediência e mau comportamentos são um bom ponto para começar — e depois será a hora de inserir ameaças externas como suborno ou sabotagem. O lógico para nossos protagonistas seria procurar as autoridades, mas aí… não teríamos história. Eles precisam comprar essas brigas por si sós!
Mas vamos por partes. Primeiro, ao lidar com temas como problemas de disciplina e conflitos internos na academia, é essencial para o Mestre levar em consideração a coerência com sua trama central e o contexto no qual seus personagens estão inseridos. É importante alinhar bem os desafios apresentados aos jogadores com a proposta da campanha, para nada parecer forçado ou desconexo. E, falando neles, perícias serão muito importantes aqui — avise-os!
Então crie situações capazes de exigir habilidades específicas de seus personagens, como persuasão, negociação e até mesmo violência (em casos extremos). É possível explorar também a rivalidade entre os personagens ou com outros cadetes, colocando-os em dilemas morais e os forçando a tomar decisões difíceis, escolhendo entre o correto ou o mais conveniente para eles. Afinal de contas, eles não estão apenas aprendendo a pilotar, atirar e esgrimir.
Outra abordagem meio óbvia — mas muito eficiente — é inserir um elemento de mistério. Isso é praticamente um pilar das histórias em academias: jogar pistas capazes de levar os personagens a descobrir quem está por trás dos problemas no campus e quais são suas motivações escusas. Essa investigação pode levar a descobertas surpreendentes, revelações sobre o passado dos personagens ou até mesmo do próprio cenário, caso o mestre queira ser ambicioso.
Além disso, ao colocar os personagens enfrentando injustiças, subornos e sabotagens dentro do campus escolar, o Mestre pode não só incentivar o trabalho em equipe dos jogadores como também desenvolver as habilidades individuais de cada personagem. Por exemplo: o protagonista injustamente acusado de suborno precisará encontrar evidências para provar sua inocência, enquanto os outros personagens precisarão ajudar a impedir sua expulsão da academia.
Já o personagem responsável por descobrir o plano de sabotagem pode precisar decidir se a denunciará ou não aos superiores, levando em conta os riscos envolvidos e as consequências potenciais dessa revelação na vida de todos os seus colegas. Além disso, os personagens precisarão trabalhar juntos para encontrar uma solução, impedir a sabotagem e evitar a destruição de equipamentos e estruturas da academia. Ou seja: agora está tudo por conta deles.
Esses conflitos internos podem adicionar um nível interessante de tensão e drama à história, incentivando os jogadores a pensar fora da caixa e procurar soluções criativas para os problemas. Além disso, eles podem desenvolver a personalidade e a história de cada personagem: eles precisarão lidar com suas próprias falhas e limitações enquanto trabalham juntos para alcançar um objetivo comum — e a natureza tolerante da Brigada ajuda bastante nisso.
Quanto aos times especiais protegidos pelos diretores: bom, eles são ilógicos, sim — mas são uma constante nas animações japonesas do gênero por oferecerem alguma desculpa concreta para os personagens entrarem em ação. Animes como Hundred, Undefeated Bahamut Chronicle e (só para maiores) HXH Magias Academy Ataraxia, nos quais os personagens usam armaduras de combate e por isso são os exemplos mais próximos à disposição, se valem desse expediente.
Talvez o diretor faça vista grossa para as iniciativas próprias dos protagonistas e em algum momento os escale como um time secreto para resolver problemas capazes de trazer problemas para a academia caso venham a público. Ou eles podem agir por sua conta enquanto os cabeças da escola fecham um olho para isso. Afinal, a cultura da Brigada Ligeira Estelar é relevar atos inconsequentes se os resultados forem bons, certo?
Até a próxima e divirtam-se!
NO TOPO: Undefeated Bahamut Chronicle. Na falta de robôs gigantes de verdade, armaduras exibindo aquilo que deveriam proteger, por motivos imagináveis, são o que temos para hoje.
DISCLAIMER: The Irregular at the Magic High School pertence a Tsutomu Satō e ASCII Media Works; Undefeated Bahamut Chronicle pertence à Senri Akatsuki e SB Creative Corp.; Hundred pertence à Jun Misaki e SB Creative Corp.; Unbreakable Machine-Doll pertence à Reiji Kaitō e Media Factory; Hybrid × Heart Magias Academy Ataraxia pertence a Masamune Kuji e Kadokawa Shoten. Imagens para fins jornalísticos e divulgacionais.






Um gancho para quando as ameaças da campanha aumentarem é tornam a academia isolada ou incomunicável, como acontece em Valvrave (lá não é uma escola militar nem nada do tipo, o que ajuda a aumentar o drama).
É uma ideia, porque força os personagens a se defender de alguma forma.