Sim, essa seção andou sumida mesmo. Em parte porque ela é baseada não no geral, mas na especificação. É fácil falar, por exemplo, do rival e dissecá-lo em um artigo maior e mais amplo — mas por ele ter tantas possibilidades, há o risco de deixá-lo um tanto vago demais para mestres e jogadores… e convenhamos, isso é RPG. O Mestre precisa é de objetividade. “Vou pegar um inimigo conveniente aqui e colocá-lo no caminho.” É assim, sem mais nem menos.
Mas também não quero ser redundante. É muito fácil eu me repetir — e isso explica por que esta seção tende a ser ocasional. Eu procuro dar espaço e buscar aspectos diferentes em contextos que não estejam tão frescos na cabeça do leitor (porque sim, ele precisa ser relembrado periodicamente. As coisas funcionam assim mesmo). E o conceito é sempre o mesmo, trazer algo com sabor não exatamente novo, mas ao menos… renovado para os mestres no cenário.
O universo de Brigada Ligeira Estelar está repleto de desafios para os jogadores, desde intrigas palacianas até confrontos interestelares. Nos inspiramos em tropos clássicos das animações sci-fi nipônicas, vocês sabem. Tendo sempre isso em mente, traremos hoje mais arquétipos de vilões e ameaças para suas aventuras… e como de costume, a ideia é fornecer ideias frescas para os mestres surpreenderem e cativarem seus jogadores. Vamos ao que importa.

Nenhum espectador viu a patada chegando, tenho certeza absoluta.
O Fantasma
Um piloto, comandante ou adversário presumidamente está morto, mas por algum motivo retorna como uma ameaça nas sombras — as notícias sobre sua morte foram um tanto exageradas, mas ele está se beneficiando com isso. Embora ele não seja um fantasma literal, sua presença é quase sobrenatural. Este inimigo parece conhecer cada movimento dos protagonistas, antecipando estratégias e reabrindo velhas feridas. Em algum momento ele se revelará a todos e…
NOS ANIMES (é chato falar do Fantasma porque usualmente nomeá-lo é um spoiler monstruoso, então podem parar agora se isso incomodar alguém): Marianne vi Britannia, de Code Geass. Ela é praticamente um fantasma literal com a desculpa da, hum, ficção científica (transferência mental), mas o efeito prático é o mesmo: ela se vale das sombras para executar nos bastidores um plano secreto de conquista e transformação da humanidade. Quem esperaria isso?
O FANTASMA EM CAMPANHA: Este vilão pode ser um sobrevivente de algum evento ligado à Brigada Ligeira Estelar ou outra tropa (como a Vanguarda Sideral, Cavaleiros de Nobreza ou piratas espaciais). Com sua expertise, ele assombra os protagonistas com ataques cirúrgicos. A tensão emocional aumenta se ele tiver laços com algum personagem dos jogadores, como um mentor ou amigo perdido (e diacho, em Code Geass, falamos da própria mãe do protagonista)!

e articulado o bastante para levar gente junto com ele.
O Fanático
Ele acredita irrestritamente em uma causa e está disposto a sacrificar tudo — e todos — para cumprir sua missão. Seja uma crença religiosa, uma visão ideológica ou até mesmo no culto à própria personalidade, ele vê o mundo através de uma lente distorcida pela fé cega. Sua convicção é forte ao ponto de fazê-lo convencer outros a seguirem seu caminho, criando um exército de seguidores leais. E claro, ele ascende pelas beiradas até ser tarde demais.
NOS ANIMES: Ribbons Almark, de Gundam 00. Líder dos Innovades, Ribbons acredita ser o escolhido para guiar a humanidade a um novo estágio de evolução. Sua fé na própria superioridade o torna implacável, e ele não hesita em manipular ou destruir quem se opuser a ele. No final, ele conseguirá poder político o suficiente para obter uma força militar inteira a seu serviço, os A-Laws. Allmark é uma personificação do fanatismo em um contexto futurista.
O FANÁTICO EM CAMPANHA: Interessante como chefe final, tendo seguidores dispostos a morrer por sua causa. Sua convicção o torna difícil de derrotar, tanto física quanto moralmente… mas o pior nem é isso. É sua capacidade de gerar pessoas dispostas a tudo para protegê-lo, seja por lealdade, seja por ter muito a perder (e elas podem estar entre os seus!). Ou de movimentar recursos para barrar o caminho dos personagens. Fanáticos são muito tinhosos.

metade da humanidade? Como diria o Alborghetti, “VÁ À…
O Exterminador
Ele não é um inimigo comum — é uma força da natureza, uma máquina de destruição total. Sua mera presença evoca desespero. Ele não pode ser derrotado por meios convencionais. Seja um gigantesco robô gigante, uma arma biológica ou uma inteligência artificial descontrolada, ele existe para exterminar tudo em seu caminho, especialmente se tiver um rótulo de “inimigo” na testa. Fugir pode ser a única opção, mas talvez nem mesmo isso seja o suficiente.
NOS ANIMES: Por mais que eu fale cobras e lagartos dessa série, o Gundam em Requiem for a Vengeance é um exemplo perfeito. Ele não é apenas uma arma de guerra, mas uma entidade que personifica a destruição absoluta. Sua presença no campo de batalha é tão avassaladora que os protagonistas não têm escolha a não ser fugir ou se esconder. Enfrentá-lo diretamente é uma sentença de morte. Ele é a personificação do poder insuperável.
O EXTERMINADOR EM CAMPANHA: Ideal para criar momentos de tensão extrema em sua campanha, pode ser usado como um evento catastrófico a ser evitado, ou contornado, mas jamais enfrentado cara a cara. A presença do Exterminador pode forçar os protagonistas a pensar fora da caixa, reunir aliados ou até mesmo sacrificar algo importante para sobreviver. Ele é a personificação das ameaças que não podem ser derrotadas, apenas contidas — e talvez nem isso.

ao lado do exterminador mas “ei, ele está do nosso lado, certo?”…
O Exterminador merece algumas palavras a mais. Para funcionar, ele precisa ser aparentemente invencível, não podendo ser derrotado em combate direto (não inicialmente) — ele é uma força avassaladora e exige criatividade e trabalho em equipe para ser contido ou derrotado. Sua presença deve evocar uma sensação de urgência e medo. Os jogadores devem sentir que estão correndo contra o tempo, seja para fugir, proteger algo — ou encontrar uma fraqueza.
Descobrir essa fraqueza pode ser uma missão por si só, envolvendo pesquisa, aliados e sacrifícios, mas dê um tempo antes disso. É interessante usá-lo como catalisador para mudanças drásticas no mundo da campanha: destruir cidades, mudar o equilíbrio de poder — ou forçar facções rivais a se unirem contra uma ameaça maior. Quando e se os jogadores finalmente conseguirem enfrentar o Exterminador, o combate deve ser memorável e cheio de reviravoltas.

de ambos os lados, sem escapatória nem esperança.
Mesmo tendo um plano, a vitória deve parecer incerta até o último momento. Pensem na dificuldade de vencer, por exemplo, um protótipo de super-robô criado para ser a arma definitiva, mas que se volta contra seus criadores e agora vagueia pelo universo, destruindo tudo em seu caminho. Ou uma criatura biológica criada em laboratório, projetada para ser o predador perfeito — e que se adapta a qualquer ameaça, tornando-se mais forte a cada confronto.
Então isso é importante: pense em uma falha ínfima, mas passível de ser explorada. O super-robô descontrolado pode ter uma falha de projeto (a Estrela da Morte tinha…). A criatura biológica pode ter uma fraqueza genética. Uma Inteligência Artificial apocalíptica pode ser detida através de seu código fonte. Então arrisquem-se. Até lá, o exterminador estará nos seus calcanhares, perseguindo e destruindo tudo e a todos.
Até a próxima — e divirtam-se.
DISCLAIMER: Code Geass, Mobile Suit Gundam 00, Mobile Suit Gundam: Requiem for a Vengeance e Space Runaway Ideon pertencem à Bandai Namco Filmworks, Inc. Imagens para fins jornalísticos e divulgacionais.
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