Piores Jogadores (com Mechas) – 20/11/2025

E para surpresa de ninguém, os Piores Jogadores (com Mechas) estão de volta, com mais tipos de causadores de dor de cabeça para o mestre de jogo. Como de costume, do lado de cá, temíamos um esgotamento dessa seção — quantos jogadores problemáticos podem complicar a experiência de jogo dos demais? Mas é claro, não é assim. Sempre podemos esperar algum tipo novo de jogador problema. E nunca nos faltará material enquanto eles derem as caras na mesa.

Aqui partimos dos personagens que nos irritam na tela para identificar os jogadores que nos causam o mesmo na sessão de sábado. As figuras escolhidas da vez são o Cordeiro, que nunca toma iniciativa, o Parceiro Incompatível, que não colabora com o personagem do colega, o Clone (autoexplicativo) ou o Galinha que vai atrás de mulher quando mais se precisa dele. São perfis que vão além da simples irritação, corroendo a coesão do grupo a longo prazo.

Como de costume, oferecemos ao mestre táticas para lidar com essas situações, sem necessariamente recorrer ao canhão de partículas (sim, você já ficou tentado!). Porque, no fim das contas, todo mundo merece uma chance de se redimir, até mesmo esse bando de malas sem alça… mas é sempre bom ter um plano B na cartola, mesmo que seja mudarem o local de jogo sem avisar ao infeliz. A seguir, confira quatro novos pilotos que você não quer no seu hangar.

Charles De L’Étoile (Southern Cross): “Só sei que na esquina o povo diz que você é galinha…”

O Galinha

Sua principal motivação é pegar gente. Diferente do Romântico (que foca em dramas amorosos) ou da Biscate (que usa a sedução para manipulação), o Galinha é compulsivo. Ele persegue qualquer coadjuvante atraente, ignora missões para flertar e frequentemente coloca o grupo em situações embaraçosas ou perigosas para impressionar, ou resgatar, um de seus interesses amorosos do momento. Suas ações são guiadas pelo hormônios, o resto da equipe se dane.

Nos animes: Charles De L’Étoile, de Superdimensional Cavalry Southern Cross (Sean Phillips em Robotech). Oficial talentoso e competente, mas sua incurável tendência de flertar com toda mulher que cruza seu caminho acabou sendo sua ruína: ele pegou a amante de um general e este mexeu os pauzinhos para metê-lo na cadeia, fazendo-o perder o comando de seu esquadrão. Sua tendência crônica à galinhagem tornou-se um ponto fraco previsível e explorável.

Como lidar com um Charles na sua mesa? Siga a lição do anime. Se o personagem é militar, sua conduta deveria levar a punições: suspensões, perda de posição, atribuição de tarefas humilhantes… Ah, use sua compulsão contra ele! A civil inocente pode ser uma espiã inimiga, o flerte em um bar pode levar a uma briga com locais (ou com o parceiro ciumento de um NPC importante)… Transforme suas investidas em ganchos para missões perigosas e complicadas.

Mitsuru e Ikuno, de Darling in the Franxx. De longe, você vê que isso foi feito para dar errado.

O Parceiro Incompatível

Em situações que envolvem duplas ou tripulações, um jogador cria um personagem com personalidade e objetivos que se chocam diretamente com os de outro dos jogadores. Juntar ambos em um mesmo time pode significar um campo de batalha de egos, com um querendo voar com agressividade e o outro preferindo táticas defensivas, comprometendo a tática do outro, por exemplo… ou, pior, um jogador com integração zero com o colega durante o jogo. Isso é chato.

Nos animes: Mitsuru e Ikuno, de Darling in the Franxx. Um casal mal pensado desde o começo para pilotar o robô Chlorophytum. Mitsuru é emocionalmente frio, tem uma ideia tóxica de força e determinado a nunca mais se mostrar vulnerável. Já Ikuno é intelectual, reservada e enclausura suas inseguranças e sentimentos sob uma fachada de frieza analítica (além de uma questão de sexualidade para complicar). Os dois simplesmente não funcionam bem juntos.

Como lidar com uma dupla Mitsuru e Ikuno na sua Mesa? Não os separe imediatamente. Use o conflito como drama ao invés disso. Crie desafios que exijam que eles superem suas diferenças para sobreviver e recompense-os com bônus em jogo quando conseguirem trabalhar em conjunto. Se for só um mero problema entre os jogadores, uma conversa mediada pelo mestre é essencial para realinhar as expectativas entre ambos. Estamos aqui para nos divertir, afinal!

À esquerda, Patrick Doyle. À direita, Patricia Doyle. Só um batom clarinho os diferencia e olhe lá.

O Clone

Ninguém gosta de perder um personagem no qual investiu tempo para precisar criar outro, às pressas. O Clone é a solução mais simples e preguiçosa para isso: cria-se um irmão gêmeo, sósia ou clone propriamente dito e ele herda a ficha de seu antecessor, sem maiores explicações. O Clone não desenvolve uma identidade, motivações ou conflitos próprios. Ele ocupa um espaço narrativo e mecânico preexistente sem adicionar nada de novo ou significativo.

Nos animes: Patricia Hoyle, de Ginga Kikoutai Majestic Prince. Seu irmão gêmeo, Patrick Hoyle, era um piloto do Time Doberman, morto em combate. Patricia surge para ocupar exatamente o mesmo lugar: ela é uma piloto do mesmo esquadrão, usa um robô similar e preenche a mesma vaga tática. Os protagonistas frequentemente a confundem com o irmão falecido (a dublagem ajuda) e narrativamente, sua presença ou ausência não altera em nada o curso da série.

Como lidar com uma Patricia Hoyle na sua Mesa? Por mais que um clone seja cômodo e um jogador queira “manter” o seu personagem perdido, o mestre deveria vetá-lo. Exija origens, motivações e conexões novas. Presenteie o personagem com um gancho narrativo só dele. Um antigo contato? Um talento secreto? Uma dívida? Pergunte: O que o seu personagem quer? Do que ele tem medo? Pelo que ele lutaria, mesmo que todos os outros dissessem para ele desistir?

Haruto Tokishima, de Valvrave the Liberator. Um protagonista meio ruim de se engolir…

O Cordeiro

Este não possui vontade própria ou motivações internas fortes, seguindo a corrente dos eventos ou decisões dos outros jogadores. O Cordeiro evita conflitos, responsabilidades e qualquer forma de competição a qualquer custo, mesmo que isso signifique sacrificar seus próprios interesses ou princípios. O problema não é a cooperação, mas a completa ausência de agência, tornando-o um peso morto na narrativa e um sócio inconfiável em momentos de crise.

Nos animes: Haruto Tokishima, de Valvrave the Liberator. Antes dos eventos da série, ele era um estudante comum que fugia de qualquer confronto. Mesmo após se tornar o piloto do robô da vez, ele inicialmente não age por vontade própria. É manipulável, comandado pelos amigos e arrastado pelos eventos. Sua relutância em aceitar a liderança e sua tendência a obedecer cegamente criam momentos de hesitação que frequentemente, custam caro para o grupo.

Como lidar com um Haruto na sua Mesa? O mestre deve criar situações onde não há uma autoridade para seguir ou onde as ordens entram em conflito com seus supostos valores. Coloque-o sozinho em uma cena e force uma decisão: salvar um amigo ou completar a missão? Desobedecer uma ordem ou seguir o protocolo? Além disso, sua hesitação deveria ter consequências. Se ele se recusar a pilotar, a base é invadida. Se ele não tomar uma posição em um debate, a facção mais radical vencerá.

Apenas para enfiar algum robô gigante por aqui, que estava em falta.

Além disso, mostre narrativamente que a inação é, em si, uma ação com resultados — e que eles são quase sempre negativos. Mas não pegue demais no pé: às vezes, o problema é apenas mera insegurança do jogador, especialmente um novato. Uma conversa amigável pode encorajá-lo a se arriscar mais. Explique que o RPG é um espaço seguro para tomar decisões erradas e que o drama muitas vezes nasce das escolhas arriscadas, não da ação planejada e perfeita.

E antes de encerrar, o problema não é um personagem ter traços difíceis de personalidade. Um mulherengo pode ser muito divertido (até para os demais jogadores, que acompanham as roubadas em que ele se mete)! O que não diverte nada é quando isso afeta o desempenho e o prazer do grupo em jogar, é disso que estamos falando! Na hora do aperto, uns precisam contar com os outros, não viver tramas à parte. RPG é colaborativo.

Até a próxima e divirtam-se.

DISCLAIMER: Darling of the Franxx é propriedade de A-1 Pictures Inc., Trigger Inc. e CloverWorks Inc.; Super Dimension Cavalry Southern Cross é propriedade da Tatsunoko Production Co., Ltd.; Valvrave: The Liberator pertence à Bandai Namco Filmworks, Inc.; Ginga Kikoutai Majestic Prince pertence à SOTSU・Fields/ MJP Project; Imagens usadas para fins jornalísticos e divulgacionais, sem direitos de propriedade infringidos, de acordo com as leis internacionais de Fair Use.

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