Locais do Sabre: A Desolação

Estamos de volta com a seção Locais do Sabre, desta vez olhando com mais atenção para a zona de guerra contra os Proscritos. Nos suplementos de Brigada Ligeira Estelar, eu mencionei em geral os núcleos de resistência civilizacional, ao descrever o planeta Villaverde. Entretanto, um mundo em guerra geralmente tem zonas devastadas que necessitam de recuperação, com consequências a longo prazo (Ottokar que o diga). E isso nos levou ao local de hoje.

Admito que a ideia não é original. Minha inspiração foi a Trilogia de Thrawn do universo expandido de Guerra nas Estrelas, de Timothy Zahn. Nos livros (não acho que isso seja um spoiler grave), os rebeldes carregavam uma substância tóxica em uma nave de grande porte, gerando uma catástrofe ecológica no planeta Honoghr. De forma resumida, os aliens que ali habitavam contaram com a ajuda do Império e acabaram com um planeta habitável, mas estéril*.

Mas, como isso é só uma inspiração, decidi fazer diferente: meu conceito central é um pântano radioativo e tóxico formado pela queda de uma colossal nave-ninho proscrita. Decidi não fazer dele apenas uma zona de desastre, mas um ecossistema mutante e hostil que se tornou uma fonte valiosa — e macabra — de recursos para os desesperados da fronteira, atraindo todos os tipos de personagens típicos de um faroeste espacial. Então, vamos logo ao texto.

Desoladora (Villaverde)

Para entender Desoladora, é preciso esquecer a guerra ordenada de frentes e trincheiras. Quando a Nave-Colmeia proscrita Mn’Roh foi abatida sobre os pântanos salgados de Aladora, seu casco rompeu-se e seus fluidos internos — uma mistura de combustível hipertérmico, agentes biomecânicos e pura entropia de natureza desconhecida — misturaram-se com a água salobra e o solo pantanoso. O resultado foi o surgimento do lugar a ser chamado de… Desoladora.

Sim, a origem deste nome foi pura ironia. “Aladora” e “Desoladora”, pegaram? Aqui, a tecnologia alienígena criou um ambiente onde o metal cresce como fungo, a radiação emite perturbadores sussurros psíquicos sem sentido e a própria paisagem se tornou uma armadilha viva. Para a Brigada, é uma zona de exclusão tática — e, para caudilhos e foras da lei da fronteira espacial, é uma perturbadora mina de ouro, atraindo todo tipo de almas sem esperança.

Localização

Desoladora estende-se por centenas de quilômetros quadrados na borda ocidental do Mar Verde, no continente de Sagrado. O local é uma vasta mistura de pântanos salgados, poças de fluidos corrosivos coloridos (do roxo fluorescente ao verde-âmbar) e “florestas” de estruturas metálicas retorcidas que brotaram dos destroços da nave — uma mistura de cristais de energia negra, tendões de metal orgânico e couraças partidas, que servem de terreno elevado.

O céu acima é permanentemente tingido de amarelo-esverdeado por emissões gasosas e tempestades eletrostáticas são comuns, interferindo em comunicações e sistemas. É possível ver as nuvens amarelas de longe. Aqui,é como se a maresia fosse mais intensa, exigindo blindagem especial e proteção extra para veículos, e caso robôs de combate sejam exigidos, eles são orientados a sobrevoar o local sem pisar no pântano, preferencialmente acima das nuvens.

Descrição Geral

Mais do que um local, Desoladora é um processo contínuo de corrupção. O ar cheira a ozônio e “carne” em putrefação metálica. A água “viva” corrói ligas padrão em horas. A vida nativa desta região sofreu mutações horríveis: aves de três olhos, enguias que emitem descargas elétricas de espectro energético desconhecido e até mesmo a flora absorveu propriedades perigosas, com samambaias que cortam como lâminas, ou árvores cuja seiva é um ácido fraco.

No centro da zona pantanosa está o Cadáver da Colmeia, a carcaça semi-submersa da nave, tão grande quanto uma montanha, com áreas internas expostas como cavernas tecnoorgânicas. É o lugar mais perigoso e cobiçado para a caça de artefatos. Ao redor, surgiram comunidades de barracos em palafitas feitas de destroços, formando vilas improvisadas como Porto Podre e Enclave do Osso, onde os Desoladores (catadores do pântano) vivem e negociam seu butim.

História e Cultura

A queda da Mn’Roh, três anos atrás,foi uma das primeiras grandes vitórias contra o inimigo mas nada se sabia sobre os invasores à época e a “vitória” rapidamente revelou-se um problema maior. Conter a poluição proscrita exigiria recursos que a frente de batalha principal não poderia ceder. Assim, Desoladora foi marcada como Zona de Quarentena Tática: vigiada (há uma base conjunta da Brigada e da Guarda Regencial nas proximidades), mas não limpa.

Isso criou um vácuo de poder. Primeiro, vieram os Desoladores, homens e mulheres durões, dispostos a arriscar suas vidas pela chance de arrancar um coração de energia proscrito ou um fragmento de metal orgânico que vale uma fortuna no mercado negro, para pesquisas de armas ou biotecnologia ilegais. Sua cultura é brutal e supersticiosa: falam em acalmar o cosmos e temem os sussurros — alucinações auditivas causadas pela radiação psíquica residual.

Também surgiram cultos apocalípticos, como os Purificadores da Ferida, que veem o pântano como um castigo das estrelas e realizam peregrinações para “sofrer a verdade na carne”. E claro, criminosos usam as trilhas traiçoeiras e os sensores inúteis para esconder bases ou descartar “problemas”. A Brigada e a Guarda Regencial fazem patrulhas ocasionais para evitar que algo muito perigoso saia de lá, mas a interação com o povo local é mínima e tensa.

Conta pontos para isso o fato das guardas conviverem de forma igualmente tensa na Estação de Defesa Aladora, a dois quilômetros da margem de segurança de Desoladora. O comandante é da Brigada Ligeira Estelar, seu segundo em comando é da Guarda Regencial de Villaverde, mas mesmo eles tendo boas relações de trabalho, ainda há algumas arestas entre ambos — e muitas entre as duas guardas. Temos pesquisadores focados em estudar a tecnologia proscrita.

Economia e Recursos

A economia do local abastece um mercado ilegal de:

Os Desoladores negociam com mercadores de identidade oculta que aparecem em naves furtivas nos limites do pântano. São conhecidos como Homens sem Rosto. Para eles, equipamentos de sobrevivência são mais valiosos do que ouro. A base conjunta da Brigada e da Guarda Regencial, por sua vez, às vezes contrata Desoladores como batedores e guias para missões específicas dentro da zona, pagando em equipamento militar descartado ou imunidades temporárias.

Papel em Campanhas

Coadjuvantes Notáveis

GANCHOS DE AVENTURA

Até a próxima e divirtam-se!

* No caso, os Rebeldes agiram contra o Império e uma de suas naves foi derrubada nesse planeta, contaminando-o e extinguindo boa parte de sua vida vegetal. E foi o Império quem ajudou a esse povo se recuperar de alguma forma, mas com sequelas que eles muito justissimamente não perdoam, tornando-os apoiadores dos vilões COM TODA RAZÃO. Claro que descobriríamos que o Império teve sua culpa do Cartório e se beneficiou disso planejadamente, diluindo o conceito, mas o ponto aqui neste artigo vai ser outro.

DISCLAIMER: arte do topo por Lisa Yount, disponível gratuitamente via Pixabay. Primeira arte sci-fi do miolo do texto por Erik Armin. Genesis Climber Mospeada é propriedade de Tatsunoko Production Co., Ltd. e Harmony Gold USA, Inc.; Starfield é propriedade de Bethesda Softworks/ZeniMax Media; Outlaw Star pertence à Takehiko Itō e Bandai Namco Filmworks, Inc.; Ricky and Morty é propriedade de Cartoon Network, Inc.; arte de Defotfaith de acordo com CC BY-NC 4.0; Neon Genesis Evangelion é propriedade de Khara, Inc.

Deixe uma resposta