Um Cafezinho para Fechar 2025

Olá a todos. Esse é o último artigo do ano e eu não sabia bem o que escrever. Preferi ter uma conversa geral com todo mundo antes da minha pausa tradicional de Dezembro para Janeiro. Foi (e ainda é) um ano trabalhoso, difícil e problemático, mas fico feliz pelo novo livro básico finalmente ter sido publicado. É uma trava tirada dos ombros. Também iniciei um novo projeto, fruto do último período de geladeira da produção de Brigada Ligeira Estelar.

Explicando melhor: lembram de quando anunciei o novo RPG de Brigada Ligeira Estelar, com um hack mais radical de 3D&T Alpha, e veio o anúncio do 3DeT Victory? O livro estava quase todo editado, faltava apenas um capítulo. Tentei acompanhar a produção das regras, mas as constantes mudanças me levaram a jogar a toalha e… esperar. Nesse meio tempo, fui puxado a um grupo de jogo estrangeiro e comecei a assistir vários animes de Battle Academy Shōnen.

Vocês viram boa parte do resultado na coluna Academias do Sabre e no final eu realmente me diverti com aquilo. Mas, como eu mesmo reiterava, a combinação entre robôs pilotáveis e academias era rara: geralmente o treinamento é mostrado de forma breve para enviar logo os protagonistas para a ativa e os pilotos em geral são adolescentes. Usar um ambiente escolar como expediente para a liminaridade do público não é realmente necessário para o gênero.

Sem falar que a graça desses materiais em geral é fazer com que os personagens acabem tomando o trabalho de adultos nas mãos, enquanto passam por situações extremamente adolescentes, e acompanhar uma evolução gradual, mas potencialmente devastadora. Então… sim, eu decidi fazer meu próprio Battle Academy Shōnen. Sim, será uma fantasia moderna (na verdade, em um futuro “relativamente próximo”, de tom pós-cyber). E sim, nós teremos magia e monstros.

De antemão estou respondendo uma pergunta: vai ser em 3DeT Victory? NÃO. Por uma série de motivos, decidi que daqui para a frente, só vou trabalhar com sistemas abertos, com licenças não-restritivas, nos quais eu possa criar livros básicos sem depender de um outro livro para termos as regras (como era nos tempos do 3D&T Alpha). Eu já tomei essa decisão anos atrás, na verdade. Brigada permanecerá sendo uma exceção por estar já encaminhado à época…

…e por isso não vou ter o prazer de criar um cenário novo para, digamos, Fabula Ultima. Adorei o sistema mas suas regras de licenciamento são bem emparedadoras em minha humilde opinião. Tenham em mente que esta é uma decisão profissional, não pessoal, e que não tenho nenhum problema com a Jambô. Resta saber o que farei com o sistema não-produzido. Deixo na gaveta? Disponibilizo na internet com a licença ORC, com modificações que o isolem do 3DeT?

É possível que o novo RPG seja mais uma variante do D20, com muitas modificações (eu pessoalmente acho que o D20 em estado puro é feito apenas para você ser um “personagem de 16 bits”: caminhe pelo terreno colorido e pixelado, abra as portas das casas e as janelas, fale com aquele coadjuvante que só diz um punhado de frases, compre uma arma +2 para substituir a arma +1, etc.), mas… é algo que preciso encarar. Não quero ser autor de um cenário só.

Por que eu estou falando isso aqui? Porque Brigada Ligeira Estelar não vai morrer e quero deixar isso claro de antemão para todo mundo. O blog continua, o romance começará a ser trabalhado para publicação, trabalharei no Aventureiros do Sabre e em seguida no famigerado livro sobre os Proscritos. Ainda estou em dúvida se o chamarei de Zonas de Guerra ou Teatro de Operações mas já me defini quanto à sua estrutura. O resto já produzido pode esperar.

Eu adoro Brigada. Ele me permite passear pelas referências que cultivo, e amo, desde a infância. Mas também acho criativamente empobrecedor fazer só isso da vida. Então, aproveitarei as férias deste blog para meter a mão na massa (além da faxina do fim de ano, é claro). Serão férias trabalhosas. Então, tenham um Feliz Natal e um ótimo final de ano. Aproveitem o chester com farofa, a cidra Cereser…

…e, por fim, divirtam-se. Muito.

Até 22 de Janeiro.

Brigada Ligeira Estelar ® Alexandre Ferreira Soares. Todos os direitos reservados.

8 comentários

  1. Este foi, de fato, um ano bem desafiador mas tivemos a felicidade de FINALMENTE ter o lendário novo livro básico em mãos e isso muda tudo!

    Sobre o “sistema perdido”, talvez seja muito interessante lançar ele na internet!

    Foi uma honra imensa ter te conhecido no Doff deste ano e que venha o romance e o novo cenário!

  2. Acredito firmemente que o que mantém um sistema de RPG vivo é o seu cenário, e não apenas as suas regras. Jogo RPG há 33 anos e já vi muitos sistemas promissores, como o antigo TAGMAR, não se sustentarem por falta de renovação. O próprio 3D&T teve sua era de ouro, mas, como qualquer produto, precisa evoluir para se manter lucrativo.

    O BLE, em sua fase atual, possui um livro básico com regras sólidas e jogabilidade fluida. No entanto, peço licença para discordar de você em um ponto: é uma visão limitada achar que a criação de conteúdo para um universo tão rico quanto o do BLE é algo “pobre” ou saturado. Pelo contrário, existe uma vastidão para expandir e inúmeros ganchos narrativos que ainda precisam ser explorados.

    Concordo que fazer isso sozinho é uma responsabilidade imensa e trabalhosa. Por isso, a chave para o crescimento exponencial seria estender uma abertura para outros criadores. Permitir que a comunidade crie materiais com a sua chancela (uma licença aberta ou comunitária) enriqueceria o cenário numa velocidade que uma única pessoa não consegue acompanhar.

    Em termos de negócios, o BLE é um ativo valioso (IP), mas que hoje parece estar restrito — imagino que o contrato com a Jambô limite ações em território nacional. Porém, existem outros palcos onde ele poderia brilhar. Concorrentes de peso, como Lancer, estão ganhando espaço e tornam o futuro incerto se ficarmos parados. Mas acredite: você tem um produto de ouro nas mãos e está no caminho certo.

    Minha sugestão estratégica é: em vez de (ou em paralelo a) buscar novos cenários, foque na internacionalização. Uma futura tradução, a aproximação com comunidades estrangeiras e até a busca por estúdios de desenvolvimento de jogos (especialmente no mercado asiático, que valoriza a estética e a temática do BLE) seriam passos decisivos.

    Existem parcerias, aportes e ferramentas de consolidação de marca que vão muito além do livro físico. O cenário tem potencial para ser uma franquia global.

    Mas, para isso acontecer, é preciso estar disposto a dar esse salto.

    Desejo uma excelente jornada nesta nova etapa.

    1. Olá, Glauco. Em primeiro lugar, agradeço muito por suas considerações maduras e detalhadas.

      Só para esclarecer, o que achei empobrecedor é centrar todas as fichas criativas em um assunto só. Falo da necessidade criativa que um autor tem de escrever coisas diferentes, sobre assuntos diferentes. Para que se tenha uma ideia, tenho um suplemento de Faroeste todo escrito pro 3D&T Alpha que acabou na gaveta com o advento do victory. Não é como se eu nunca tivesse me interessado por outros assuntos, mesmo com minha predileção por ficção científica. O sistema é sólido, mas preciso ajudar o Brigada a se desenvolver, mesmo enquanto trabalho outros temas.

      E sim, a internacionalização é algo que eu considero. Mas lembre-se que as regras do sistema pertencem à editora e não posso fazer como o Diogo Nogueira (que é muito bom no que faz, diga-se de passagem), criando livros em inglês. E seria antiético profissionalmente que eu o fizesse com o Brigada com novas regras, enquanto o livro sai por aqui em 3DeT.

      Novamente: não vou deixar o Brigada morrer ou colocá-lo em segundo plano, fiquem tranquilos. Este ainda é o MAIOR CENÁRIO NACIONAL DE FICÇÃO CIENTÍFICA. E deste ativo não vou me desfazer.

      Obrigado.

  3. Muito bom ver que autores tão dedicados estão pensando em publicar em sistemas abertos. Isso é muito bom para o autor e, principalmente para a Comunidade que mantém o jogo. Aguardando ansioso pelo lançamento.

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