O Futuro do Pretérito

Em filmes e séries antigos de ficção científica, frequentemente os eventos fundamentais para estabelecer um futuro (quando não o próprio) foram ultrapassados por nós e, hoje, o percebemos estranhamente como algum tipo de… futuro do pretérito. Muitos dos materiais por nós consumidos passaram por isso: a SDF-1 de Macross caiu na Terra nos anos 90, o futuro pós-apocalíptico de Hokuto no Ken idem, o futuro de Akira também. A lista é farta, acreditem.

E essa é uma armadilha inescapável: a data pode apenas demorar séculos para ser cruzada mas, em algum momento, caso o material esteja vivo até lá, isso vai acontecer. Apenas vai. E quanto mais próxima for a data em questão, mais teremos problemas. A franquia Gundam, originalmente, estabeleceu uma data para o fim do calendário Anno Domini (ou seja, delimitado pelo nascimento de Cristo) e o início de seu U.C. — e precisou remanejá-la algumas vezes.

Como um cenário de ficção científica disposto a prezar por seu nome, Brigada Ligeira Estelar precisou estabelecer esses marcos desde o começo. No futuro, o marco foi retroativamente estabelecido em algum ponto do Século XX (o ano de lançamento do Sputnik-1 pelos Soviéticos, marcando assim a entrada do homem na Era Espacial). Apesar do Grande Vazio, a cronologia não tem grandes buracos.

E, preciso admitir, talvez esses buracos fossem uma boa ideia.

Ano Zero do Calendário Estelar. Tudo começou aqui.

Como autor eu sei para onde meu cenário caminha. Levando em conta os eventos em paralelo à história da constelação, o período de tempo para o Grande Vazio (na verdade, um buraco cronológico comum em boa parte de ambientações de ficção científica em um futuro mais distante) poderia ter sido maior. Eu pensei seriamente, com a chegada dos Andro-Ginoides em Batalha dos Três Mundos, em aproveitar para remexer na cronologia. Afinal, eles ainda lembram.

Meu plano inicial era adicionar dois milênios extras, jogando o cenário para a década de 3860 no Calendário Espacial. Odeio retcons (modificações retroativas feitas no cenário) mas esse me pareceu uma boa ideia: ao longo do Grande Vazio, teria acontecido uma interrupção total e isolamento completo entre os mundos da Constelação. A contagem teria sido interrompida e retomada após milênios — ela precisava apenas ser corrigida. Só havia um problema…

A propósito: as guerras eugênicas do passado de Star Trek duraram de… 1992 a 1996.

Essa é, simplesmente, uma ideia… idiota. Estamos falando de um cenário espacial. Medições de tempo não se limitam aos institutos especializados (como o Observatório Real de Greenwich, na Inglaterra). Astrônomos rapidamente perceberiam o lapso ao calcular a posição das estrelas, algo fundamental quando falamos de navegação espacial — uma constante do cenário, mesmo limitada a dezessete sistemas solares — e isso já é uma área monstruosa, acreditem.

Além disso, seria fácil localizar vácuos historiográficos, ainda mais em um buraco de tempo tão grande. Este texto está sendo publicado em um dia 27 de Agosto e nesta exata data, há 2571 anos, nasceu ninguém menos do que Confúcio. Não é como se tratasse de um evento relativamente recente (em termos históricos) como a Guerra Anglo–Zanzibari, no mesmo dia há 124 anos atrás. O tempo é vivido dia a dia e, quando desaparece uma peça no quebra-cabeças…

Talvez haja mistério quanto ao conteúdo da peça, mas não quanto à existência dela em si

… percebemos o buraco justamente pela existência das peças ao redor. Em resumo, essa ideia nasceu morta. E como não estou disposto a apelar para teoria da relatividade e similares para estender esse espaço de tempo, fica tudo como estava: o Grande Vazio durou alguns séculos e isso foi o bastante para estabelecer um buraco de onde saltam tanto picos tecnológicos incríveis quanto um período subsequente de caos e devastação com documentação esparsa.

Tenho meus planos a respeito da situação externa à Constelação do Sabre e eles não vão mudar — apenas vou precisar de mais explicações lógicas para estabelecer isso em uma janela menor de tempo. Mas uma coisa é certa: já estamos no ano 63 do Calendário Espacial. Embora o ano constelar não comece no dia 4 de Outubro, essa será uma data universal para a humanidade nesse futuro.

Quanto à datação em si, daqui a 137 anos a gente conversa.

Até a próxima.

Já passou, gente, bola pra frente.

DISCLAIMER: Star Trek é propriedade da Paramount Pictures. Todos os direitos reservados.

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