Sobre a Postagem Ausente de Hoje

Bom, pessoal, essa postagem é um pedido de desculpas. Hoje não teremos um texto normal porque não houve tempo hábil para produzir um novo conteúdo para o blog. Mas eu gostaria de conversar sobre o motivo para eu não ter postado um artigo de verdade hoje. E isso tem a ver com posicionamento. É, eu sei. A eleição já passou. Mas eu acho esse assunto pertinente demais para passar batido. E sim, precisaremos passar minimamente pelo assunto “política”.

Eu tenho tido semanas muito… complicadas nos últimos tempos, no tangente aos assuntos da vida real. Mas procuro produzir em qualquer oportunidade à mão. Eu me comprometi, então devo isso a todos aqueles dispostos a me seguir. Ontem, já na madrugada, eu já havia escrito o texto bruto do artigo de hoje, só precisando refinar — e costumo fazer a revisão durante esse processo. Nesse momento, eu posso ter uma ideia mais clara do que realmente escrevi.

Como assim? Bom, eu ponho tudo pra fora e depois organizo os parágrafos, faço cortes, incluo linhas novas de texto quando percebo lapsos na clareza… Isso acelera o processo e eu não sou o tipo de redator que fica polindo cada palavra. “Melhor feito do que perfeito”, diz o ditado. No entanto, eu também acho ser pior malfeito do que feito. Mas existem formas e formas de se ser “malfeito” — e uma delas nada tem a ver com técnicas formais de redação.

Agora vamos ao ponto. Ontem, eu estava escrevendo um texto para a seção “Locais do Sabre”. Como falei, a parte bruta já estava pronta. Mas à medida na qual o texto se desenhava durante a revisão, eu mais e mais não gostava do que lia. Era uma estação espacial no meio do nada, onde todos se organizavam, estavam cansados da ingerência do Império, era movimentada, etc., etc., etc. E… bom, em miúdos, estava escorregando para uma utopia do Ancapistão.

E PARA MIM ISSO É HORRÍVEL.

Somos todos seres humanos, partes do mundo ao nosso redor, e não podemos fugir disso. Mas a criatividade é um processo recombinatório e cavamos todo tipo de influência à nossa volta para construir coisas novas. Isso exige repertório, e por isso consumimos todo tipo de material potencialmente interessante ao nosso alcance. Mas o conteúdo ao nosso redor também traz impurezas — e por isso o filtro crítico é tão importante.

“Ah, isso significa que você está se castrando criativamente em nome do discurso do politiburo, bla, bla, bla.” Não, seu tendencioso. Eu estou percebendo um texto que me incomoda pessoalmente. Eu não falei de filtro crítico à toa. É isso o que me permite continuar apreciando a obra de bons criadores com uma posição distante da minha. Eu seria estúpido se negasse a qualidade do cinema de John Millius ou da literatura de um Leon Uris, e por aí vai.

E reconhecer essas qualidades não significa concordar com elas. Na verdade, reconhecer o poder dos aspectos positivos dessas obras pode ser uma defesa para os potenciais discursos embutidos nelas. Eu tenho posições bem claras e embora eu procure falar delas em lugares bem diferentes uns dos outros (por isso tenho mais de uma conta no Blue Sky, uma para mim e outra para meus projetos criativos), nunca deixei de pôr a cara a tapa sobre o que penso.

Eu poderia discorrer aqui sobre o que me incomodava tanto nesse texto, mas isso seria trazer para este espaço público uma discussão que tem sua hora e lugar, e este lugar não é aqui. Isso não significa que Brigada seja apolítico. Nunca foi, até porque ele é um cenário de real robot, e este subgênero também nunca foi apolítico. Só que nesse caso, uma obra acaba refletindo de forma não necessariamente aberta as posições de seu criador — e tudo bem.

Mas um subtexto de Brigada é: liberdade exige responsabilidade, caso contrário ela cria monstros. Já temos monstros demais ao nosso redor, em todos os meios, e não quero isso em meu cenário. Se vocês pensarem diferente, tudo bem, o RPG é seu a partir do momento no qual vocês o compram. É seu direito, sintam-se livres. Mas também tenho responsabilidades e direitos como criador. Não quero colaborar com certas coisas. Só isso.

Até a próxima, e juízo.

Brigada Ligeira Estelar ® Alexandre Ferreira Soares. Todos os direitos reservados.

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