Resenhas – 15/10/2026

Eu não pretendia publicar resenhas esta semana, porque em geral eu as uso como um… tapa-buraco um pouco mais substancial do que as trilhas sonoras. Mas convenhamos que esse outubro tem sido o melhor momento, em muito tempo, quando falamos de animes sci-fi e/ou mecha. Só este mês, temos a space opera de Reborn as a Space Mercenary, o super-robô de Beast King War God Dandivine, o simpático Vertex Force e o remake das Guerreiras Mágicas de Rayearth.

Embora este último seja o mais esperado e popular, inclusive no Brasil, ele é o mais off-topic de todos em termos de Brigada Ligeira Estelar e por isso mesmo não falarei dele no texto. Convenhamos, na sua primeira metade ele é um anime de fantasia pura, sem o menor flerte com a ficção científica. Nem seus robôs gigantes escapam. Na segunda, isso é arranhado com o mundo de Autozam e suas máquinas movidas a controle mental, mas a sci-fi acaba aqui.

Em todo caso, todas elas estão no streaming da Crunchyroll e ainda tem poucos capítulos, então nenhuma produção desta lista é inacessível (e não, eu não estou ganhando nada da empresa para divulgar o material). Mas, como a minha missão é escrever uma resenha breve de cada um e tentar cavar algumas ideias para a sua mesa de jogo, é hora de pararmos com a perda de tempo… e, como diziam os bons e velhos Alvarenga e Ranchinho, ir direto ao que vende.

Quatro personagens animados em um fundo espacial, com um dos personagens segurando uma arma, enquanto outros se posicionam de maneira confiante.

Reborn as a Space Mercenary (Studio A-Cat)

SINOPSE: sem muita explicação, um jogador apelão de um genérico do Eve Online desperta em um mundo muito parecido com o de seu jogo favorito, com a extraordinária nave Krishna. Assim, ele rapidamente se estabelece como um mercenário espacial absurdamente bom e de quebra vai agrupando uma crescente tripulação feminina útil e sim, ele não é um bobalhão e elas não são apenas uma tripulação, se é que vocês me entendem. E assim começam suas aventuras.

COMENTÁRIOS: Sim, é um isekai*. Sim, é um harém**. Sim, é uma adaptação de light novel/mangá (desses com nomes monstruosamente grandes***) e não chega a ter grandes valores de produção. E mesmo assim, contra todas as expectativas, ele é divertidíssimo. É uma space opera sem culpas, desculpas, pretensões, discursos sobre os males do mundo, e com ação, humor, reviravoltas, combates espaciais… ou seja, escapismo honesto. E isso estava fazendo falta.

Nave espacial futurista em um fundo escuro, com raios de luz vermelha emanando dela.

VALE A PENA? Bem, esta série é uma visível fantasia masculina de poder e não há absolutamente nada de errado nisso. A ficção científica muitas vezes tende a se levar a sério demais e, se você não comprar a proposta de aventura pulp e ação heroica do material desde o começo, pode quebrar a cara. Dito isto, algo nela me lembra os materiais espaciais que sucederam o estouro do primeiro Guerra nas Estrelas em 1977. E isso, para mim, é ponto positivo.

COMO REFERÊNCIA: é ótima. Se pensarmos em campanhas de mercenários, é melhor ainda. Só faltam os robôs gigantes (e mesmo assim, embora isso não deva aparecer na primeira temporada, seremos introduzidos a armaduras de combate à la Votoms mais tarde). Em termos de Brigada Ligeira Estelar, seria uma campanha heroica e não seria difícil a adaptação — temos uma nobreza espacial inclusive, e os personagens serão envolvidos em suas tramas mais à frente.

Ilustração de um grupo de personagens jovens em estilo anime, incluindo um menino no centro com um robô gigante. À esquerda, uma garota de cabelo curto e uma menina de cabelo prateado. À direita, outras duas meninas com diferentes estilos. Fundo com céu azul e nuvens.

Vertex Force (SMDE)

SINOPSE: na Ilha de Okinawa, ocultam-se dois filhos de um alienígena com uma humana. A mais velha herdou de seu finado pai o poder do engine, podendo evocar um construto de batalha. O filho mais novo aparentemente não herdou poder nenhum até o momento no qual ocorre um blecaute total em nosso mundo — e ele é atacado por monstros biomecânicos. O garoto não sabe, mas tem em mãos o mais poderoso dos construtos… e isso faz dele um alvo dos invasores.

COMENTÁRIOS: esse foi a surpresa da temporada. Eu não esperava nada dele e me deparei com um anime redondinho, até agora (dois capítulos) bem-escrito e com uma animação agradável. É uma típica jornada do herói, ele nos deu uma ameaça que promete e os personagens, de modo geral, são fáceis de se gostar. Note que a história mal começou e ela ainda pode descer ladeira abaixo, mas, neste momento, ela começou com fundações bem sólidas. Vou acompanhar.

Uma batalha entre um robô imponente e uma personagem feminina em um cenário ao ar livre, com céu azul e nuvens.

VALE A PENA? Bom, ela não é sua série padrão de mecha. O único a ter um robô pilotável reconhecível é o protagonista (que não usa um engine, mas algo mais poderoso). Os engines em si parecem mais uma versão sci-fi dos stands de Jojo’s Bizarre Adventure, comandada pelos movimentos externos das meninas. O robô do protagonista é pilotado em um molde similar ao de G Gundam e Tosho Daimos, com a máquina imitando movimentos. Na prática é super-heroico.

COMO REFERÊNCIA: esse é complicado. Ainda precisamos saber mais sobre os inimigos, mas até agora, eles são bem aplicáveis — uma inteligência artificial biomecânica comandando monstros artificiais? O complicado são os engines, que na prática parecem uma versão mais inteligente da famigerada mecha musume**** (mas com um lore concreto a seu favor). Quanto à “herança genética” para pilotar algo… por que não? Exigiria alguma adaptação, mas é possível.

Grupo de jovens em um ambiente urbano vibrante, com anúncios de robôs e figuras de anime ao fundo. Um grande mecha colorido se destaca atrás deles, enquanto os personagens usam uniformes escolares e carregam bolsas.

Beast King War God Dandivine (Liden Films/Good Smile Company)

SINOPSE: há vinte anos, o robô gigante Dandivine salvou o mundo de uma ameaça extradimensional e virou pedra fundamental de uma grande linha de brinquedos. Mas hoje, os brinquedos não vendem mais e ele é considerado uma velharia. Enquanto isso, um jovem adolescente meio alheio não enxerga que seu relacionamento com a namorada vai de mal a pior — e três garotas misteriosas articulam uma nova invasão. Isso vai desembocar em PORRADA DE ROBÔ GIGANTE.

COMENTÁRIOS: é uma série de super-robô com um lado metalinguístico interessante, acenando para os clássicos com um misto de afetividade e autoconsciência crítica, mas vem prejudicada por uma animação de segunda linha (quando nem a abertura recebe um trato extra em relação à série, é de se esperar o pior). Eu me vi gostando dele por lidar com tropos que me atraem pessoalmente — mas, ao mesmo tempo, suas falhas eram visíveis demais para eu ignorar.

Robô gigante com asas coloridas em um ambiente urbano.

VALE A PENA? Eu diria que se você é fã do gênero como um todo, curte super-robôs, aquele gigantismo herdado de Thunderbirds e de Ultraman, gosta de ver robô enfrentando kaiju***** e fazendo gattai******, vai encarar essa série como diversão certeira porque ele tem aquilo que você gosta de ver, nada mais, nada menos. Eu mesmo tive uma sensação ambígua ao assistir aos dois primeiros episódios: estava gostando de algo que sabia não ser grande coisa.

COMO REFERÊNCIA: basicamente, é robô contra monstrão (com garotas feitas para atrair o otakuzão mais hardcore como vilãs — diacho, elas fazem um número musical no encerramento do anime!) e o planeta Inara foi criado justamente para isso no cenário de Brigada Ligeira Estelar. Nada impede seus jogadores de estar em um projeto onde seus robôs se unem para gerar um robô maior, e a ideia de “ringue protetor” é muito boa!

Até a próxima — e divirtam-se!

Tela com ruído de estática, apresentando um padrão de linhas entrecortadas em preto e branco.

* Isekai é um subgênero de ficção — muito comum em animes, mangás, light novels e jogos — centrado em um protagonista que é transportado, convocado ou reencarnado em um universo desconhecido.

** Harém é um subgênero de anime, mangá e light novel em que um protagonista (geralmente do sexo masculino) vive cercado por três ou mais personagens do sexo oposto que demonstram interesse romântico ou afeto por ele. O “harém” costuma ser composto por personagens com personalidades bem marcadas e arquétipos clássicos (como a tsundere, a amiga de infância, a tímida, entre outras). Frequentemente, o protagonista é um personagem comum, gentil ou indeciso, com o qual o público consegue se identificar facilmente, mas há exceções e Reborn as a Space Mercenary claramente é uma delas: definitivamente ele não é indeciso e não quer saber de triângulos, quadrângulos ou pentágonos amorosos — rapidamente ele estabelece um trisal e aos poucos a lista vai aumentar!

*** O nome em inglês, completo, é Reborn as a Space Mercenary: I Woke Up Piloting the Strongest Starship — e o original japonês é maior ainda (Mezametara Saikyou Soubi to Uchuusenmochi Datta node, Ikkodate Mezashite Youhei toshite Jiyuu ni Ikitai), arre!

**** Mecha Musume (メカ娘, Meka Musume, literalmente “Garota Mecânica” ou “Garota Mecha”) é um termo da cultura pop japonesa que define a antropomorfização de maquinários, robôs ou armamentos militares na forma de garotas bonitinhas de anime. Em vez de pilotarem robôs gigantes (como no gênero mecha tradicional), as próprias personagens vestem, são fundidas ou personificam essas máquinas, utilizando blindagens, asas mecânicas, propulsores e armas acopladas aos seus corpos.

***** Kaiju (怪獣, kaijū) significa literalmente “besta estranha” ou “monstro estranho”. O termo é usado na cultura popular para descrever criaturas gigantes que aparecem para atacar cidades e gerar destruição, sendo o símbolo máximo do gênero no cinema japonês.

****** Gattai (合体) significa literalmente “união”, “combinação” ou “fusão”. O termo é muito usado na cultura pop japonesa (animes e séries de tokusatsu, como a franquia Super Sentai, ou animes como Getter Robo) para descrever o momento em que dois ou mais veículos, naves ou robôs menores se encaixam e se transformam em um robô gigante muito maior e mais poderoso.

DISCLAIMER: Reborn as a Space Mercenary: I Woke Up Piloting the Strongest Starship! © 2026 Ryuto, Tetsuhiro Nabeshima/KADOKAWA/project-Krishna; Vertex Force © VERTEX Project; Beast King War God Dandivine © Good Smile Company, LIDENFILMS/DANDIVINE Project. Todos os direitos pertencentes a seus legítimos proprietários. Imagens para fins divulgacionais e jornalísticos de acordo com as leis internacionais de Fair Use.

Brigada Ligeira Estelar ® Alexandre Ferreira Soares. Todos os direitos reservados.

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