Diários de Produção – 02/09/21

Bom, esta é a segunda edição de nosso Diário de Produção. Como, pouco tempo antes de sair o primeiro artigo, recebi novas ordens de cima, vou precisar pôr a mão na massa. Mas hoje quero falar um pouco mais sobre os romances, desta vez, e talvez nas próximas — no caso, sobre as três figuras centrais do livro. Dois pilotos da Brigada Ligeira Estelar (os protagonistas) e… vocês verão quem é a última. Mas, antes, vou relembrar as inspirações da obra.

A primeira foi um conto meu sobre um casal em lados opostos de um combate. A segunda foi uma ópera russa. Da terceira, me reservo a falar apenas após o lançamento do primeiro livro: foi um ato de manipulação midiática real e ele fez água (graças a Deus). Tenho posições e opiniões pessoais claras mas uso os devidos canais próprios para me expressar nesse sentido e me reservo ao direito de não usar moral da história como guia de cego para o leitor.

Só para relembrar do ponto de partida: dois alferes novatos da Brigada Ligeira Estelar (esmaltados, no jargão dos pilotos no cenário) são envolvidos inadvertidamente no roubo de tecnologia proscrita durante um combate e rapidamente escalados para uma missão secreta: pegar os responsáveis e impedir um complô no planeta Albach, envolvendo traidores regenciais e a FEMTAR (Federação dos Empresários de Tarso). Mas um perigo maior pode engolir a todos…

GIL LAIM: um dos dois co-protagonistas do livro. Nascido em Forte Martim, sua família passou por momentos difíceis durante a insurreição da nobreza agrária no planeta e isso marcou sua personalidade. É inteligente e tem uma capacidade estratégica imensa, com grande talento para identificar as fraquezas inimigas, mas emocionalmente ele ainda é um adolescente meio rude com raivas de longa data e hormônios em polvorosa, sempre avaliando as mulheres.

Originalmente ele foi pensado como um coadjuvante — o melhor amigo do personagem principal, narrando sua rota para a tragédia de uma forma similar ao Nick Carraway de O Grande Gatsby… mas ele foi crescendo e crescendo ao ponto de se tornar um dos personagens principais. Parte de sua trajetória envolve conscientização política e o entendimento dos motivos pelos quais a Brigada Ligeira Estelar luta. Por outro lado, ele ainda guarda muitos rancores.

BAZI JUNIZ: o co-protagonista. A história como um todo nasceu de um conto a respeito dele e de outra personagem (já já chegamos lá). Por isso mesmo, descartar o estopim de todo esse projeto criativo, para mim, é quebrar a espinha emocional da obra. Bazi é um galã adolescente, de origem nobre, nascido em Albuquerque. Ele é uma figura de ação, em contraponto à natureza mais estratégica de Gil, abraçando os ideais mais altos de Silas Falconeri. MAS…

… Bazi também é um fruto de sua classe sócio-econômica e, sem perceber, sua visão da realidade ainda é meio turvada — ele é incapaz de perceber isso. Assim, ele é em essência um romântico em todos os sentidos, trombando com a visão de mundo pé-no-chão do seu melhor amigo Gil. Para piorar, ele se apaixonou por uma moça, se envolveu com ela e não a esqueceu. Quando os dois se reencontrarem, ela estará do outro lado e isso não será bom para ninguém.

PIA CABIANCA: talvez a deuteragonista da obra. Nascida no planeta Tarso, é a ex-namorada de Bazi Juniz, tendo mais ou menos a mesma idade dele e de Gil. Assim como Bazi, veio da baixa nobreza e teve motivos bons para romper com o rapaz. Tornou-se uma alferes hussardo da Guarda Regencial de seu mundo, é bem focada e altamente competente — mas carrega o pior do senso comum de seu povo. Comparativamente, talvez Pia seja uma piloto bem mais perigosa.

Ah, sim: ela não é uma vítima. Sua natureza independente e competente não faz da moça uma heroína potencial à espera de uma epifania. Romance não é bem minha praia mas o reconheço como parte do gênero e, se o assunto está aqui, é por um motivo bem concreto: quero desconstruir alguns clichês narrativos mais manjados do gênero e certa… flexibilidade moral dos próprios leitores, ou espectadores, na sua vontade de ver um final feliz a qualquer custo.

Algo a falar sobre sua dinâmica? Não muito. Gil e Bazi se tornam melhores amigos, mas isso é estabelecido de cara e não chega a ser um spoiler: é o tipo de elemento denunciado até na sinopse da quarta capa. Bazi quer de alguma forma resgatá-la e Gil quer estourar suas fuças — ele terá excelentes motivos para isso. Pia? Tem seu próprio arco de desenvolvimento mas, essencialmente, é uma antagonista e espero deixar isso bem claro no primeiro volume.

Acho interessante falar também dos vilões, mas eles são muitos. O elenco é grande, até meio difuso, mas isso é deliberado: há planos para um golpe de estado no planeta Albach e somente em filmes (ruins) isso se dá graças a um maluco com um exército, sem o apoio interno (e externo) de várias frentes políticas e financeiras — sim, teremos política aqui. Nós falaremos futuramente desse tema nas próximas edições desta coluna, sem falta.

Até a próxima.

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