Resenhas – 26/05/22

E como de costume, quando este a vos falar se encontra com a imaginação em falta, estamos trazendo de volta a seção de resenhas. Repetindo o texto de sempre para me poupar de conteúdo extra a escrever, “falarei de filmes, livros, quadrinhos, RPGs, qualquer coisa potencialmente interessante como referência para os jogadores de Brigada Ligeira Estelar… preferencialmente ao alcance legal, é claro”. E convenhamos, há realmente algo mais a dizer aqui?

Mas como eu tenho ainda dois parágrafos a preencher antes de começar a postar o material (não sei se vocês repararam, mas costumo obedecer às minhas próprias formatações — contem o número de caracteres por parágrafo e a organização deles na maioria dos artigos), vou fazer aquele apelo inútil de sempre: eu sei, a internet mudou mas blogs ainda são necessários para quem produz conteúdo. Os pedidos e comentários ainda são a melhor fonte de feedback.

Eu tenho leitores regulares, de acordo com as estatísticas do WordPress, e eles não são tão poucos assim. Então, estou fazendo a convocação: deixem seus comentários. Deem sugestões. Contem como foi sua mesa última de jogo. Marquem sua presença. Apenas lembrem: eu modero porque um dos motivos responsáveis pela queda dos blogs na preferência geral foi o inferno nas seções de comentários. E finda a enrolação, vamos logo às resenhas da vez na coluna.

Só eu pensei nos Tachikomas de Ghost in the
Shell
ao ver esses robôs nessa história?

Nathan Never 3 e 4 (Mythos), de Serra e de Angelis

SINOPSE: Em uma academia militar, um cadete misteriosamente morre durante um exercício de combate. A explicação oficial é suicídio mas para sua família isso não faz sentido, levando-os a apelar para a Agência Alfa e para seu melhor agente, Nathan Never. Devidamente infiltrado (sob um nome falso familiar para os fãs de certa franquia japonesa de robôs gigantes), ele descobre uma imensa conspiração por trás de tudo. Agora seu pescoço está em risco.

COMENTÁRIOS: Nathan Never é uma instituição da editora italiana Bonelli (a mesma de Tex, Zagor, Julia e Mágico Vento) e sempre vale a leitura, oscilando entre diferentes subgêneros da ficção científica — aqui, ele parte para a ficção científica militar. Estas duas edições resenhadas pertencem à breve tentativa da editora Mythos em publicar esse título (atualmente, ele sai pela Graphite) e ainda são facilmente encontráveis na Amazon (AQUI e AQUI).

Se essa imagem não convencê-los a ler
essa história, nada mais convencerá.

VALE A PENA? Muito. Esta história tem tudo: ação, mistério, armaduras de combate e um sem-mar de citações a Gundam (o background da história poderia pertencer ao passado do Universal Century, a continuidade principal da franquia), Tropas Estelares e Aliens: o Resgate (prestem atenção aos nomes dos personagens). Eu recomendo, inclusive, a leitura dos dois números de uma vez para melhor aproveitamento — e a arte de Roberto de Angelis é sensacional.

COMO REFERÊNCIA: essa é praticamente uma aventura pronta, pedindo para ser narrada e exigindo pouquíssima adaptação (trocando nomes e situações — e as armaduras por robôs gigantes). Os personagens podem começar como cadetes, sendo enviados para um centro especial sem saberem de nada, ou serem jovens oficiais da Brigada, escalados por um agente da inteligência para se infiltrarem na academia de uma guarda regencial em uma missão secreta. Funciona.

Aqui você é um personagem masculino cercado de belas
pilotos de robôs gigantes! É Muv-Luv Alternative, pô!

Muv-Luv Alternative Immortals, da Anchor, Inc.

SINOPSE: Uma raça monstruosa, os BETA, chega à Terra em 1973, sabe-se lá como. Eles são uma espécie de praga cósmica, se multiplicando como formigas e destruindo tudo pelo caminho. Agora a humanidade está à beira da extinção, dependendo de pilotos de robôs gigantes para tentar virar a mesa. Você é o diretor da PMC* Immortals, e recebeu a missão de reconquistar Yokohama**, tomada pelos BETA. E está cercado de jovens e belas pilotos para o serviço.

COMENTÁRIOS: este jogo é mais um na crescente franquia Muv-Luv Alternative (falei um pouco dela AQUI) e não duvido da possibilidade de termos uma adaptação dela para animação no futuro. É um jogo de gacha (ou seja, você coleciona personagens femininas como se fossem figurinhas… mas, pensando friamente, isso faz parte do espírito da série) e tem combates com visão de área, nos quais os robôs gigantes precisam debelar os monstros BETA ao seu redor.

Um pouco do gameplay do material.
É bem o esperado aqui, na verdade.

VALE A PENA? Se você é fã da franquia, ele é obrigatório: personagens dos três animes de Muv-Luv Alternative podem aparecer com as vozes de seus dubladores originais na telinha. O resto já foi visto em outros jogos… mas isso não chega a ser um problema. Mesmo assim, recomendo paciência: o jogo ainda não tem versões globais e, sem saber japonês, você vai perder alguma coisa. Para piorar, você vai precisar apelar para o VPN — e isso sempre é chato!

COMO REFERÊNCIA: não mais nem menos em relação a qualquer outro exemplar da série animada (nem menciono os jogos, porque…***). E embora PMC não passe de um nome bonitinho para o mercenarismo, o modo história de Kidou Sentai Iron Saga — outro jogo para celulares — ainda me parece uma referência mais eficiente e acessível para mestres e jogadores interessados em campanhas com soldados da fortuna. A praia de Muv-Luv sempre foi outra, podem conferir.

Por que não colocar o herói em destaque? Porque
são eles quem justificam sua resenha aqui!

Ultraseven, da Tsuburaya Productions

SINOPSE: após os eventos da série original Ultraman, foi montada uma força especial para o combate às constantes invasões alienígenas no planeta Terra — o Esquadrão Ultra… e, como sempre acontece nessas séries, eles não dão conta do recado sozinhos. Então rapidamente se infiltra, entre nossos heróis, um alienígena do planeta M-78 sob o disfarce humano de Dan Moroboshi, capaz de se transformar no gigante Ultraseven e detonar os monstros da semana!

COMENTÁRIOS: terceira série ultra (contando com o arqueológico Ultra Q****) e segunda da trilogia clássica de Eiji Tsuburaya de super-heróis contra monstros gigantes*****. Como é habitual nos boxes da World Classics, está em full frame ao invés de letterbox — deformando sua imagem em telas largas e exigindo alterações de formato para ser assistido. Também não tem dublagem mas, devido à idade de sua última exibição na televisão, isso era esperado.

A influência de Thunderbirds no gênero mecha e no tokusatsu foi
enorme — e Ultraseven espelha isso, com ênfase nas miniaturas.

VALE A PENA? Se você é fã dos tokusatsu****** japoneses ou apenas alguém com idade o suficiente para ter nostalgia do material, com certeza. Se não for o seu caso, depende: cada série dessa trilogia tem suas particularidades******* e o apelo desta é ser um pouco mais madura, com peso mais concreto na ficção científica e ganchos inteligentes. Mas ela ainda é uma série de 1967, com episódios de meia hora e monstros de borracha. Fica a seu critério.

COMO REFERÊNCIA: de todas as três séries, esta é aonde mais temos ênfase na força-tarefa da vez e, por isso, ela está sendo resenhada aqui. Temos um olhar mais acurado nas missões, há protótipos e bases a se proteger, eles precisam lidar com infiltrações inimigas, há elementos de espionagem e senso de equipe. Nesse sentido, mesmo sem robôs pilotáveis ou similares, essa série pode ser um tesouro para mestres de Brigada Ligeira Estelar!

Divirtam-se!

Só para lembrar, o nome “Ultraseven” é ambíguo — é o sétimo
membro do esquadrão… e aponta para o time como um todo.

* Private Military Company. Tecnicamente são companhias privadas fazendo serviços de segurança para forças militares mas, na prática, funcionam como companhias mercenárias.
** Cidade portuária japonesa ao sul de Tóquio.
*** …originalmente eram jogos eróticos (eroge). Ao se verem com um universo mecha interessante por si só, eles atenuariam tais elementos e migrariam para o mainstream. No entanto, ainda podemos ver algumas características de sua origem — como os trajes colantes reveladores ou fato de sempre termos um protagonista masculino cercado de exuberantes coadjuvantes femininas.
**** Primeira — e menos conhecida — série Ultra. Basicamente era um proto-Arquivo X que desembocava em um monstro no final. Os protagonistas eram jornalistas investigativos e o clima era mais de mistério — clima herdado pela primeira série Ultraman, aliás. Não haviam super-heróis gigantes. Essa série chegou a ser lançada em Blu-Ray nos Estados Unidos e só foi exibida por aqui nos anos 80, em caráter regional (São Paulo) e sem exibição nacional.
***** Live-actions japoneses com heróis, monstros e muita ação.
****** A primeira série, como dito antes, herdava os elementos de mistério de Ultra Q, com influência da série Além da Imaginação. A segunda investia no sci-fi, com muitas miniaturas, equipamentos e valorização do time — além de um olhar acurado para a crítica social quando necessário, tocando eventualmente em alguns temas mais maduros. A terceira baixa essa bola (apesar de seus bons momentos nesse quesito) e dá ênfase nos personagens e no drama. É interessante comparar inclusive as funções de cada equipe: a Patrulha Científica existia para a resolução física de problemas baseados na ciência; o Esquadrão Ultra existia como uma força-tarefa de defesa contra alienígenas; o GAM (MAT, no original) existia muito especificamente como uma “polícia dos monstros”. Entenderam porque fomos resenhar justamente Ultraseven aqui?

NO TOPO: Imagem de Muv-Luv Alternative: Immortals.
DISCLAIMER: Nathan Never pertence à Sergio Bonelli Editore; Muv-Luv e todas as suas séries derivadas pertencem à divisão Âge da Avex, Inc.; Ultraseven é pertencente à Tsuburaya Productions. Todas as imagens para fins jornalísticos e divulgacionais.

14 comentários

  1. Após o texto introdutório me senti um pouco compelido a escrever um comentário, hehe. Faz tempo que não jogo uma mesa Sci-fi, mas mestro regularmente uma de Império de Jade, estamos chegando em uma aventura especial de festival de outono.

    Gosto bastante do blog e espero bastante pelos post semanais. Conheci a Brigada Ligeira Estelar pelo blog da Jambô e acabei parando aqui, mal posso esperar pelo dia que o sistema lançar (até lá vou tentar convencer meus amigos a jogarem o cenário no 3d&t comigo).

  2. Excelente matéria Alexandre.
    Já sou fã de longa data da Brigada e tenho quase tudo sobre o assunto.
    Assim, como o Gabriel to querendo voltar a narrar BLE, mas tenho uma dúvida a muito tempo sobre a evolução dos Hussardos x Personagens jogadores. Vi que a progressão desses dois é um pouco diferente na campanha do Belonave, o ideal é seguir a progressão da vantagem, Aliado Gigante, jogador e hussardo ganham o mesmo PE sempre ou devo adotar algo diferente. Muito obrigado.

      1. Obrigado, mas fiquei na dúvida ainda sobre a progressão Hussardo x Personagem Jogador.

      2. Eu sempre deixei livre, garantindo que o jogador dividisse seus pontos entre o personagem e o robô. Mas recomendo deixá-los acumular ao longo da campanha para momentos de “salto” do maquinário. Isso reflete o que acontece com os animes do gênero: eles até garantem duas ou três armas novas pelo caminho, mas tem um update total lá pelo meio da série.

      3. entendi Alexandre. O jogador ganhou sei lá 20 PE e quer distribuir 10 para o robô e outros 10 para o jogador interessante. Agora sobre a evolução a partir de marcos também é uma coisa bacana. Muito obrigado mesmo viu. A última coisa que eu iria pedir é Luas de Dagon dão alguma vantagem regional? E quando puder publicar mais Kits eu agradeço, curto muito. Valeu.

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