Space Opera: A Hora mais Decisiva

“Idealmente a Terra deve estar em perigo, deve haver uma busca e um homem presente na hora mais decisiva. Tal homem deve confrontar alienígenas e criaturas exóticas. O espaço deve fluir pelos portos como vinho de um jarro. O sangue deve correr pelos degraus do palácio e as naves devem ser lançadas nas profundezas sombrias. Deve haver uma mulher mais bela que os céus, um vilão mais sombrio do que um Buraco Negro e tudo precisa dar certo no final.”

Obrigado, Brian W. Aldiss! Como já dissemos, cada item descrito por ele é um esteio básico da Space Opera e, no texto anterior, falamos da busca despertada pelo surgimento de um grande oponente final. E assim é chegada a hora mais decisiva — a mais importante, na qual surgem as condições nas quais um herói ou heroína surge no horizonte para empreender a jornada de salvação (foi pomposo, eu sei). E, em um bom jogo de RPG, esses heróis serão vocês.

Antes de começar, vamos ao elefante da sala: quando Aldiss falou “um homem”, ele estava certo. A ficção científica, por muito tempo, foi um grande clube do Bolinha e, realmente, na era da Space Opera clássica, ninguém abria espaço para mulheres, negros — ou qualquer um além do herói WASP de queixo quadrado. Mas foi justamente a geração de Aldiss e companhia quem começou a contestar isso, então deixem passar quieto — e faremos nosso devido ajuste…

Agora que salvamos nossa pele, vamos lá: estar “presente na hora mais decisiva” (“to meet the mighty hour”) significa estar preparado para enfrentar um momento crucial, um teste definitivo de coragem ou capacidade. Aldiss sugere que o herói ou heroína deve se mostrar à altura dos desafios épicos que a situação demanda, especialmente em meio a uma crise na qual a grandeza e a ação decisiva são necessárias.

A “Hora mais Decisiva” refere-se a esse momento de grande perigo ou oportunidade onde o destino do mundo ou universo está em jogo. E no cenário de uma Space Opera, é o instante em que a personagem principal precisa se destacar, confrontando forças inimagináveis ou inimigos poderosos, tomando decisões capazes de mudar o rumo da história. Isso é o mínimo a se esperar de um oficial hussardo imperial digno do nome! Vocês estão no lugar e hora certos!

Se você duvida disso, pense no que aconteceria se
Luke Skywalker permanecesse em Tattooine.

Mas nada adianta estarem lá se os protagonistas não forem as pessoas certas para o serviço. Definimos neste blog os Perfis de Personagem, mostrando como pode ser esse seu grupo capaz de salvar a todos. Ninguém precisa ser santo ou perfeito. Às vezes, o destino da Aliança pode estar nas mãos de um herói improvável, mas com o devido estímulo, apoio e recursos, ele pode conseguir! Estamos falando da convocação do personagem, aquela capaz de movê-lo.

Já vimos isso mil vezes nos animes, então vamos pinçar exemplos. Basta lembrar de Patrulha Estelar: naquele momento de desespero, foi preciso apelar para uma tripulação de jovens voluntários para embarcar em um navio da Segunda Guerra Mundial adaptado aos rigores do espaço. Em Nadesico, Akito Tenkawa preferia o serviço de taifeiro, mas alguém precisava pilotar aquele robô gigante — e tinha que ser ele. Pergunte-se: por que você precisa estar ali?

Você poderia estar seguro em casa. Mas preferiu embarcar
em uma jornada de risco e pilotar um robô gigante.

Vamos pensar nisso de forma prática. Certa vez, em uma campanha de Fading Suns, eu era o capitão de uma nave de contrabando. Os personagens estavam lá mas eu sentia falta de vínculos mais fortes, então convidei um deles a se juntar à tripulação. Ele recusou. Isso me criava um problema: aquela não era uma nave de cruzeiro! Eu não poderia trazer mais bocas para a nave quando eles nem estavam pagando! O Mestre precisa criar ganchos para evitar isso!

Dentro de uma estrutura como a da própria Brigada, isso é fácil: vocês recebem uma missão para executar e, de repente, se deparam com algo em jogo muito maior do que a sobrevivência imediata – trata-se do destino da Aliança Imperial! Qual o próximo passo? Tomar a iniciativa ou buscar ajuda? Ambas são opções viáveis, mas a escolha entre elas definirá o tom da aventura. Tomar a iniciativa pode levar a cenas de combate intensas e grandes revelações.

Aliás, a melhor maneira de garantir a presença de todos é
quando tudo está sob risco e ficar parado é morrer.

Mas procurar ajuda não precisa ser um ato de covardia: isso na verdade pode permitir uma abordagem mais estratégica, envolvendo aliados inesperados ou a descoberta de segredos ocultos. Ao se depararem com o desconhecido, os personagens precisam se perguntar: o que eles têm a perder? A resposta geralmente é tudo. E é exatamente esse senso de urgência que transforma qualquer encontro em uma oportunidade para heróis, improváveis ou não, se erguerem.

O outro aspecto da questão é capacitar os personagens jogadores para a missão. Um dos motivos pelos quais a versão original de Brigada em 3D&T Alpha contava com kits de personagem foi porque um hussardo imperial obviamente teve um treinamento em comum com seus companheiros. Todos sabem fazer as mesmas coisas básicas (uns melhores do que outros, mas isso é da competência dos Atributos e Perícias). Para diferenciá-los, eu recomendei um segundo kit.

O Izuru Hitachi de Majestic Prince é um bom herói nascido de
um momento de inciativa. Veja o final do primeiro capítulo.

A próxima etapa é se preparar para o inevitável confronto com forças que desafiam a lógica, onde invasores proscritos, piratas espaciais ou políticos traidores são apenas alguns dos obstáculos que podem surgir pelo caminho. Mas o mais importante não é apenas a batalha em si, mas a transformação que ela proporciona aos personagens. É nesses momentos de maior perigo que as verdadeiras motivações de cada um vêm à tona. E isso inclui, também, vilões.

E ninguém precisa ser perfeito. Alguns dos maiores heróis começaram suas jornadas com falhas ou traumas. O que os define não é a ausência de medo, mas como lidam com ele. Em um universo como o de Brigada Ligeira Estelar, onde a linha entre heroísmo e tragédia é tênue, é a força para seguir em frente que realmente importa. E agora, com todas as peças no lugar, vocês estarão prontos para enfrentar a “Hora Mais Decisiva”.

Até a próxima e divirtam-se.

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