Juntando Todo Mundo: uma Introdução

Um dos motivos que levaram à criação de perfis de personagem em Brigada Ligeira Estelar RPG foi justamente a natureza potencialmente… disfuncional de um grupo desestruturado. Uma constante anterior, e que afastava muita gente, é que as diferentes classes não formavam um time. E isso tem explicação. Como eu já falei mil vezes, e estou me repetindo, em uma mesa de fantasia todo mundo tem objetivos diferentes, mas são unidos por interesses em comum…

…enquanto nas animações japonesas que inspiraram o cenário, os personagens têm interesses diferentes, mas são unidos por objetivos em comum. Mas como isso se manifesta de forma prática? Pensem: vamos imaginar o mundo de Agherta. É o seu mundo de fantasia padrão, com anões, elfos, castelos medievais, o diacho a quatro. No nosso grupo de jogo, temos um guerreiro anão, um clérigo humano, uma arqueira elfa, um mago também humano e um ladino halfling.

Ou seja, um grupo BEM comum. Mas todos os personagens têm um histórico para fazer o que fazem. Digamos que… o Anão quer uma jóia que lhe permita requisitar um feudo tomado há séculos. O clérigo está em uma viagem de penitência imposta por seu deus por alguma coisa que ele fez no passado. A arqueira quer salvar seu povo da destruição. O mago está em uma jornada para impedir que um ente extradimensional monstruoso invada este plano e nos extermine.

O que funciona com essa galera não vai necessariamente funcionar em outros cenários.

TODOS tem motivos próprios para seguir viagem, mas não vão conseguir nada sozinhos. O que temos é um arranjo prático: juntos, eles se protegem, arranjam dinheiro e itens que os ajudarão a se manter no caminho. Mas como eles farão isso? Ora, invadindo masmorras, matando monstros e saqueando tesouros. Podem até surgir laços de amizade e camaradagem no processo, mas isso é bônus — o importante é que o grupo tem razão para existir e permanecer unido.

Brigada não tem essa simplicidade porque as obras que inspiraram o cenário não as têm, só isso. Sua dinâmica de grupo é diferente e isso levou muita gente a ficar perdido nas versões anteriores do jogo. E isso nem vem dos animes: vem do próprio modelo básico da ficção científica que inspirou tudo o que veio depois. Pense em uma campanha, digamos, de Star Wars. Todo mundo ali é parte da Rebelião, ou do Império, ou um bando de contrabandistas, etc.

Pode reparar: em Star Wars, sempre há alguma direção ao torno do qual os grupos de personagens se agregam.

Mas quando seu personagem se junta à Rebelião, todo mundo se compromete com um objetivo em comum — derrubar o Império. É disso que falamos. Pegue um anime como Code Geass: temos diferentes facções militares e paramilitares ao longo de toda a série, cada uma com a própria sardinha para puxar brasa. Os Cavaleiros da Britânia, de modo geral, miram uma ascensão social (seu interesse) mas sua missão é a da guarda pretoriana de um nobre (seu objetivo).

Da mesma forma, temos várias divisões dentro do Império Britânico. No mangá Code Geass: Oz the Reflection, temos os Glinda Knights, que servem à Princesa Marrybell mel Britannia e agem como um grupo antiterrorista, e os Barões Azuis, formados para caçar os remanescentes da Ordem dos Cavaleiros Negros após sua derrota pelo Império. Aliás, estes nem são o único grupo de resistência local, vide a Frente de Libertação do Japão. Estão pegando a ideia?

Várias divisões, facções, exércitos… e todos uns contra os outros em Code Geass.

E, em termos práticos, aqui vem a grande diferença. Ninguém pensa em “vamos funcionar como um time” em um mundo de fantasia medieval. Os guerreiros na masmorra trabalham em equipe, o que parece a mesma coisa… mas, na prática, tem outra dinâmica. São laços organizacionais frouxos e o gênero funciona muito bem assim. Ao se juntar (ou formar) um time, você passa a ter um compromisso em prol de um objetivo. E certos cenários pedem por essa estrutura.

Por isso, estamos abrindo esta série. Por algumas semanas, nossa missão será dissecar essas estruturas e facilitar a vida dos jogadores. Temos os perfis de personagem para determinar a dinâmica interna entre os personagens, mas a ideia é falar do conjunto, o que faz do seu time um time. O primeiro será dedicado às guardas, o segundo aos cavaleiros, etc. Então estamos sendo breves desta vez. Semana que vem a coisa anda.

Até a próxima e divirtam-se.

DISCLAIMER: Mobile Suit Gundam ZZ e Code Geass: Lelouch of the Rebellion pertencem a Bandai Namco Filmworks, Inc.; Star Wars pertence a Disney Enterprises, Inc.; Record of Lodoss War pertence a Kadokawa Shoten Publishing Co., Ltd./ H.YASUDA/Group SNE Co., Ltd.. Imagens para fins jornalísticos e divulgacionais, de acordo com as leis internacionais de Fair Use.

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