Bom dia, boa tarde, boa noite, meus caros! Aqui quem vos fala é Fides Antevorte, seu fiel redator da Voz do Sabre, a fonte mais confiável de notícias na Constelação do Sabre! Como sempre, lembramos aos nossos leitores: não somos grande imprensa. Não temos anunciantes corporativos. Não devemos favores a clãs, corporações ou regências. Devemos apenas à verdade e a vocês, que nos mantêm vivos com sua leitura, seus compartilhamentos e suas denúncias.
Infelizmente, manter a redação é bem difícil. Operamos com servidores fantasmas, o que nos mantém a salvo dos matadores de aluguel a serviço de nobres e empresários. Não podemos contar com um sistema de doações, porque isso permitiria nossa identificação através de movimentação bancária. Temos uma rede de colaboradores em todos os planetas do Sabre. Buscamos confirmar cada informação antes de sua publicação nesta página. Protegemos nossas fontes.
Estamos sobre cerco constante: desde a última edição, três de nossas estações relay foram fisicamente apreendidas em Tarso e Viskey. E mesmo assim, recebemos um número recorde de denúncias nas últimas semanas. Algumas são falsas, plantadas por nossos adversários para nos desacreditar. Outras são tão absurdas que só podem ser verdade. Filtramos o que pudemos e trazemos a vocês o que resistiu à verificação. Agora resta só o julgamento dos leitores.
1. O Último Voo do Albatroz
O cargueiro Albatroz da Aurora decolou de Ottokar há dezessete dias, com destino a Albuquerque, transportando suprimentos médicos e trezentos e quarenta refugiados da zona devastada. Nunca chegou. A Marinha Estelar declarou a nave como “perdida por falha técnica” três dias após o prazo previsto de chegada e sem realizar buscas. Nossas fontes, no entanto, rastrearam o sinal de emergência do Albatroz até uma região não mapeada do Quadrângulo Negro.
Está na mesma área onde, há dois meses, três belonaves de reconhecimento desapareceram. O sinal foi decodificado parcialmente e continha uma única frase, repetida em loop: “Eles não querem nos machucar. Querem que a gente entenda.” Uma equipe de resgate está sendo montada, em sigilo, com o apoio de um oficial da Brigada Ligeira Estelar que se recusa a aceitar a versão oficial. O que ele não sabe é que a TIAMAT também está interessada no Albatroz.
Obviamente a organização terrorista não está interessada nos refugiados, mas pelo que eles podem ter visto do outro lado. Nossa fonte nos garantiu: o que está no Quadrângulo Negro não é uma ameaça proscrita. É algo mais antigo. E está esperando ser encontrado. Normalmente nos manteríamos céticos, mas a fonte é extremamente confiável e não é comum da Marinha Estelar declarar algo como perdido sem nem se mover. Seja o que for, pode haver algo mais.
2. A Fazenda de Sonhos
Uma das maiores produtoras de alimentos do planeta Moretz, a fazenda hidropônica Esperança Verde, faliu da noite para o dia. Seus donos por quatro gerações, uma família de pequenos proprietários, simplesmente abandonaram tudo. Não venderam, não deveram, não fugiram. Apenas pararam. O que ninguém noticiou: todos os membros da família, ao todo dezoito pessoas, foram encontrados no dia seguinte, em letargia profunda, sorrindo — e incapazes de falar.
Uma divisão da Brigada acompanhou os médicos do Sistema Imperial de Saúde, enviados ao local, e diagnosticaram “exposição a agente psicoativo desconhecido”. Nenhum agente, toxina ou gás foram encontrados. Uma investigação independente revelou que a fazenda fica exatamente sobre uma antiga câmara mascon selada há séculos, cujo interior nunca foi explorado. Sensores mais recentes indicam: a câmara está ativa e emite um padrão de ondas desconhecido.
Segundo quatro pesquisadores do Instituto Takemiya, esse padrão “não deveria existir em nenhum lugar conhecido” e “contradiz normas elementares e comprovadas da física de partículas”. A Brigada foi chamada para evacuar a região e apenas poucas unidades têm a permissão para entrar no perímetro ao redor do local. A fazenda foi confiscada pelo próprio governo imperial. E ninguém, até agora, perguntou o que a família estava cultivando — ou para quem.
3. O Concerto dos Mortos
Os organizadores do festival em Valhalla de Wagner anunciaram uma adição surpresa ao programa deste ano: uma composição perdida do lendário maestro Alaric von Schiel, considerada destruída há dois séculos, em um incêndio. O manuscrito foi descoberto em uma coleção particular em Bismarck e autenticado por três especialistas independentes. A obra se chama “O Lamento da Estrela Perdida” — e, segundo os organizadores, será a peça central do festival.
Mas há um problema. A composição exige um instrumento que ninguém jamais ouviu falar. O score o chama de cronofone e, nos cadernos do compositor, há uma descrição: “Um instrumento capaz de tocar a música das estrelas mortas. Não para entreter. Para lembrar. Para que nunca esqueçamos o que o cosmos já perdeu.” Os Estúdios Rheingold foram contratados para construir o cronofone e seus engenheiros estão, segundo nossas fontes, simplesmente perplexos.
O instrumento, segundo os diagramas, combina elementos de um órgão de tubos, um sintetizador de plasma e um interferômetro gravitacional. Não há registro de nada parecido construído antes. A única pessoa que parece ter uma ideia da física por trás do projeto é o professor Nils Berlepsch que, convenientemente, está disponível para consultoria. O ensaio geral está marcado para a véspera do solstício de inverno. Os ingressos esgotaram em três horas.
Segundo nossas fontes nos bastidores há, pelo menos, três facções planejando sabotar a apresentação: uma milícia religiosa a crer que “O Lamento da Estrela” é uma blasfêmia — uma tentativa de “tocar o que pertence às estrelas”; um grupo de colecionadores cujo objetivo é tomar o cronofone para si, e não se importa se o concerto for cancelado (ou pior) para consegui-lo; e um agente não identificado que, de acordo com os nossos informantes no local…
…está convencido de que a composição não é só música — é um código. Um código que, ao ser executado, revelará algo escondido há dois séculos e que alguém, em algum lugar, não quer ver revelado. O maestro Klaus Richter, líder do movimento “Veritas Artis” contra a presença de artistas artificiais nos palcos, foi convidado para reger a apresentação e aceitou. E, segundo nossas fontes, está aterrorizado com o que encontrou nos arquivos de von Schiel.
“A música não é apenas bela”, teria dito ele a um colega. “Ela está tentando nos dizer algo. E eu não sei se quero ouvir.”
Até a próxima, e que as Estrelas do Universo protejam a todos nós.
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