Em Foco: as Agentes da BRISCA

Quem acompanhava o antigo site da editora Jambô lembra dos pequenos contos introdutórios a certos artigos temáticos. Todos eles acabaram sendo incluídos no cânone do cenário. Como estamos resgatando conteúdo não-impresso nos livros posteriores, vamos republicar aqui apenas esses contos, sem o conteúdo para jogo — este foi publicado nos suplementos. Desta vez traremos as Agentes da BRISCA — nossa pequena e meio óbvia homenagem a um famoso anime dos anos 80. Suas estatísticas e informações extras para o seu uso em aventuras estão no livro Arquivos do Sabre (AQUI), páginas 44 a 46.

— Você está louca, não é? Essa é uma base da Brigada Ligeira Estelar!
— Não. Vamos nos vestir com esses trajes hussardos. Eles não vão nem notar, quando muito vão nos convidar para um chope.
— E se algum quiser nos amolar?
— O truque do casal de lésbicas. Já fizemos isso antes.
— Ah, não, detesto esse disfarce…
— Eu também, mas ele funciona e isso é trabalho. Além disso seu hálito é péssimo.
— Meu hálito não é péssimo.
— Amiga, se você soprar um isqueiro aceso é capaz de mandar essa base toda pelos ares.
— E você não precisa de cachaça para mandar a base toda pelos ares, queridinha. Seu talento como agente já faz o suficiente.
— QUE HISTÓRIA É ESSA DE “MEU TALENTO COMO AGENTE?”
— Tivemos sorte de escapar daquela estação espacial. Se ela não tivesse se espatifado na reentrada geraria um…
Um barulho de palmas espocou pelo ar. “Meninas, por favor?”
— “Meninas?”
— “Por favor?”
— Vocês duas são surdas, é? Considerem-se presas por invadir uma base planetária da Brigada Ligeira Estelar!
Uma jovem capitã da Brigada estava de pé, de braços cruzados. Atrás dela, vários soldados de infantaria da base apontavam armas para ambas. As duas agentes voltaram os olhos uma para a outra, sem mudar de posição. Baixaram o tom da voz.
— Mudança de planos. Vamos partir para a porrada, sair daqui correndo e roubar dois daqueles robozões antes que nos identifiquem. Sem enrolação, sem demora.
— Você sabe pilotar um daqueles monstrengos?
— Ora, qualquer garoto civil de quinze anos, ao encontrar um protótipo de robô gigante militar dando sopa, entra no cockpit sem saber pilotar e acaba detonando ases mascarados do lado inimigo logo no primeiro ou segundo combate. Acha mesmo que é tão difícil assim?
— É, tem razão — disse com enfado. “Vamos partir pra porrada…”
— Isso, isso.
— OLHA AQUI, SUAS DUAS FUGITIVAS DE FILME PORNÔ! QUE CALMA IRRITANTE É ESSA? VOCÊS ESTÃO PRESAS, CACET…
A capitã não completou a frase. Um pé atingiu em cheio a cara dela, jogando-a no chão. Agora só faltavam os demais homens no recinto, os oficiais na sala, driblar as câmeras — e conhecendo o currículo delas, o que começou como um simples ato de infiltração e destruição de provas da Inteligência Imperial acabaria desembocando em uma base explodida, robôs destruídos, a mídia em cima de tudo e a equipe de apoio se desdobrando para limpar todos os rastros capazes de levar a culpa dessa ação à BRISCA. E com certeza elas diriam no dia seguinte, com um sorriso amarelo: “Mas a gente destruiu as provas junto com a base, não foi?”

Arte do topo por Altair Messias.

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