Piores Jogadores (com Mechas) — 03/09/20

Achou que não teríamos mais os Piores Jogadores (com Mechas)? ACHOU ERRADO! Jogadores causadores de dores de cabeça aos mestres e aos colegas são como piolhos — basta uma cabeça suja e toda uma sala de aula estará infestada! A propósito: a partir de agora (na verdade, a partir do último “Cinco Trilhas Sonoras”), as seções recorrentes serão registradas apenas por uma… data.

Com isso, não esperem mais “Piores Jogadores: IV” ou similares por aqui. Isso não passa de uma conveniência, na verdade: postagens numeradas (I, II, III…) tendem a ser menos lidas e quem chega em um primeiro momento instintivamente não os encara — desavisados creem, em um primeiro momento, ser preciso ler tudo desde o começo para pegar o material. E não é esse o caso aqui.

Vocês sempre podem ler as postagens anteriores (AQUI) e se divertir. Os piores tipos de jogadores são imortais — e sempre voltarão para assombrar-nos.

Mezametara saikyou soubi to… ah, não vou escrever tudo isso: o Meta-Game
como forma de se dar bem (Leitura da direita para esquerda, pessoal).

O Meta-Gamer

O Meta-Gamer conhece o cenário até a medula e isso em si não é ruim. O problema acontece quando, em sessão, o jogador usa esse conhecimento inacessível ao personagem e, de posse desses dados, manipula os eventos do jogo… algo especialmente injusto se os demais jogadores seguirem rigorosamente suas fichas e interpretarem seus personagens com todas as limitações definidas no papel. Em suma, ele é um maldito trapaceiro e sabota o trabalho do mestre!

Nos animes (no caso, nos mangás): Hiro, de Mezametara saikyou soubi to uchuusen-mochi datta no de, ikkodate mezashite youhei toshite jiyuu ni ikitai. Basicamente, mais um maldito isekai (histórias aonde o protagonista morre e renasce em outro universo, usualmente de algum videogame jogado por ele em vida)*. Sua diferença é a de não ser uma fantasia medieval — ele está mais para Eve Online. Não tem robôs gigantes mas naves espaciais servem, certo?

Como lidar com um Hiro na sua Mesa? Bom, justiça seja feita, ele é um personagem de isekai. Sem tal conhecimento prévio o personagem seria inviável. Mas na mesa de jogo a coisa é diferente: no primeiro sinal de meta-game na mesa, exija testes para ver se o personagem sabe desses fatos e alerte os jogadores ao final da sessão. Caso haja reincidência, puna o jogador em pontos de experiência (XP)… e na pior das hipóteses, ameace punir o grupo em XP.

Apesar dos robôs gigantes no espaço™, Strain: Strategic Armored Infantry
(Soukou no Strain) foi inspirado em… A Princesinha — sim, ESSA mesma!

O Perseguidor

Eventualmente um dos jogadores antipatiza com outro jogador. É chato, mas acontece e pode ser relevado quando ambos são civilizados. O problema é quando ele se coloca em uma posição na qual prejudique seu alvo usando a interpretação como disfarce. Enquanto o Cretino simplesmente quer passar por cima de todo mundo, o Perseguidor aproveita para descontar seus rancores na mesa — talvez com a esperança de fazer seu alvo desistir do grupo por cansaço.

Nos animes: Isabella, de Strain: Strategic Armored Infantry. Para se ter uma ideia: essa série é, essencialmente, “A Princesinha” (de Frances Hodgson Burnett — lembram daquele filme na Sessão da Tarde?) transplantada para o espaço… e, claro, com robôs gigantes de combate. Como estranhamente a Lavínia do original aqui tem outra personalidade**, Isabella absorveu o papel do perseguidor. Ela pagará caro, bem cedo na trama, mas deixará sucessoras***.

Como lidar com uma Isabella na sua Mesa? Bem, esse é um problema muito sério e precisa ser identificado e resolvido imediatamente — nem sempre a vítima se sentirá confortável em avisar ao mestre. Terminando a sessão, peça para falar separadamente com o Perseguidor e resolver a questão amigavelmente. Se houver reincidência, fale novamente à parte com o Perseguidor, mas desta vez com o ultimato: mais uma atitude como essa e rua. Não há outro jeito.

Woolf Enneacle (à esquerda): folgado, metido a gostosão e ainda quer
pegar o robô gigante dos outros! Ao menos ele toma jeito…

O Astro

Em uma campanha de RPG, todos são protagonistas e todos os demais personagens jogadores, aos olhos de um personagem de jogador, deveriam ser enxergados como deuteragonistas****. No entanto, o Astro os enxerga como coadjuvantes e quer para si os holofotes. Ele tende a passar por cima de todos, procura ser o herói da missão (atrapalhando os demais) e se intromete sempre nas cenas dos colegas, especialmente quando é um momento de destaque para eles.

Nos animes: Woolf Enneacle, de Gundam AGE. Ele é um folgado. Já chega de sola na nave Diva, quer tomar um robô de ponta de seu colega (o protagonista Flit Asuno), desafia-o para um duelo para conseguir tomar esse robô e, quando não consegue, aciona seus contatos para fazer um robô (discutivelmente) melhor, disputando resultados com Flit. Pelo menos ele é bem-humorado, melhorou sua atitude e acabou tornando-se o melhor personagem da série — mesmo!

Como lidar com um Woolf na sua Mesa? Na verdade não há nada errado com um personagem assim, especialmente quando se sabe encarná-lo com os devidos senso de humor e proporção. Woolf e Flit se tornam amigos e isso foi bacana! O problema é quando o jogador é assim. Converse com ele nesse caso e estabeleça limites na mesa em caso de reincidência (“não, essa é a cena dele”)… mas estimule integração e colaboratividade ao seu redor. Funcionou com Woolf!

Minha cara Irie Tamaki: se você quer tanto sair do seco e parar
de assustar todo mundo, que tal agir como gente normal?

O Romântico

Jogadores assim pouco se interessam por robôs gigantes ou intriga, focando em romance o tempo todo. Enquanto o Tipo 1 é voltado às paixões pessoais, o Tipo 2 procura resolver a vida amorosa de todos os personagens — mas o efeito é o mesmo: eles paralisam a trama central e transformam sua campanha em um fanfic melado. Mais comuns em PBEMs (campanhas jogadas por e-mail), eles sempre podem assombrar sua mesa de jogo. São uma verdadeira erva daninha.

Nos animes: Tamaki Irie, de Majestic Prince. Ela só quer arrumar namorado e se torna obsessivamente monotemática, falando disso a qualquer hora, se apaixonando o tempo todo… e azucrinando qualquer alma ao alcance. É um claro exemplo do Tipo 1: embora a moça até tenha o perfil (ela só pensa em romance e é cega a quem se interessa realmente por ela — um traço clássico dos “casamenteiros”), ela não faz a temida digivolução para o Tipo 2, felizmente!

Como lidar com uma Irie na sua Mesa? Deixando-a em um nicho, sem grande intervenção nas tramas dos demais personagens — e jogando sujo para preservar esse status*****. Não force a anulação total desse aspecto mas valorize suas conquistas como piloto (Irie é uma tonta mas é também a segunda melhor do time). Caso isso não funcione e o jogador não se sinta gratificado, ele talvez jogue a toalha. O Tipo 1, se for um problema, é até fácil de resolver…

O Tipo 2 não costuma aparecer em séries de robôs gigantes — aonde a Death Flag é uma instituição suprema —
mas isso não irá impedir o romântico de tentar fazer da sua campanha um romance escolar a todo custo!

…mas o romântico do Tipo 2 exige palavras extras por ser um problema grave: ele é invasivo, enredando os demais personagens no processo e sabotando outras linhas de trama. É claro, romance faz parte do gênero e não deveria ser esquecido (temos artigos sobre o tema AQUI e AQUI) mas ainda estamos em uma ambientação de ficção científica com robôs gigantes… e cremos ter sido essa a expectativa dos demais jogadores. A chance deles debandarem é enorme.

Qualquer problema, não importa sua natureza, deveria ser resolvido com uma boa conversa. Convidar um jogador a se retirar do grupo precisa ser uma decisão tomada em último caso, quando nada mais funciona. Mas todos estão ali para se divertir. É interessante ter desde o início uma ideia das expectativas de cada jogador e equilibrar tudo de forma a atendê-las. Se alguém não está se divertindo, tem algo errado acontecendo. Pense nisso.

Até a próxima.

É bom deixar claro: não temos nada contra romance — mas, caso a glicose
na mesa de jogo esteja alta demais, vocês sabem o que fazer, não? 😀

* Só para constar: os isekai podem já ter dado no saco menos pela qualidade individual de uma série ou outra — sempre vão ter isekai legais, vamos admitir — mas por onipresença e saturação. Dito isso, esse até onde li foi legal, gostei dele e recomendo… mas pelo amor das Estrelas, inventem logo um apelido para encurtar esse nome! 😀
** Lavínia era uma valentona maldita no original e, em Strain, transformaram-na em uma garota sexualmente obcecada por Sara. Mal-pensadamente, preferiram transformar esse elemento em gancho cômico e jogar a batata da vilania em outros personagens.
*** Aviso de SPOILER: Isabella era apenas uma garota implicante contra a novata, se pensarmos bem — mas era um caso isolado. Ela morre graças ao seu próprio excesso de confiança, mas as amigas dela passam a culpar Sara por isso e assim passamos a ter um gancho para o bullying generalizado.
**** Deuteragonismo é quando temos um personagem equivalente em importância narrativa ao protagonista e acompanhamos suas duas trajetórias em paralelo até um eventual momento de colisão narrativa — não necessariamente antagonismo. Teremos um artigo sobre isso em breve.
***** NÃO vou dar spoilers, mas eles são óbvios. Procure por “Death Flag” AQUI. 😀

NO TOPO: Irie Tamaki, de Majestic Prince, nossa romântica tipo 1.
DISCLAIMER: Mezametara saikyou soubi to uchuusen-mochi datta no de, ikkodate mezashite youhei toshite jiyuu ni ikitai (arre!), Strain: Strategic Armored Infantry, Mobile Suit Gundam AGE e Ginga Kikoutai Majestic Prince — assim como os mencionados Code Geass, Star Trek e Macross Frontier —  e seus personagens relacionados são propriedade dos respectivos donos dessas marcas e estão aqui em caráter apenas ilustrativo.

4 comentários

  1. Alguém tem que botar um freio nesses títulos de isekai. ahauhauahuahau

    Jogador romântico em cenário de mecha é pedir pra sofrer. Mas ele não é um problema total. Se o grupo inteiro quiser montar uma comédia romântica em Annelise, é válido.

    1. Não, não é o fim do mundo. Se esse for o perfil do grupo todo, aí é outra história. E a própria Irie (tipo 1) tá aqui para mostrar que esse tipo de personagem pode ser encaixado e enquadrado em um grupo plural (ela é monotemática, mas isso se resume a ela e a Irie não arrasta a trama nesse sentido). O Tipo 2 é mais complicado porque ele realmente é invasivo e envolve os demais personagens nessa.

  2. Alexandre Lancaster, eu concordo com você.
    “Mezametara saikyou soubi to uchuusen-mochi datta no de, ikkodate mezashite youhei toshite jiyuu ni ikitai”.
    Decididamente é um bicho complicado.
    Mas eu tive uma ideia!
    [ (Meza)metara (sa)ikyou (so)ubi to uchuusen-mochi datta no de, ikkodate mezashite youhei toshite jiyuu ni ikitai]

    Mezasaso.

    Simples, prático e fácil de memorizar.
    Esse mangá tem pouco material, mas se eu fosse um produtor de anime, eu ficaria de olho nele; o potencial é fantástico.

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