Perguntas e Respostas

Olá a todos. Esta é nossa última postagem de 2020. Como eu posto às quintas feiras e os próximos textos cairiam nos dias 24 e 31 de Dezembro, novamente eu farei uma pausa (fiz o mesmo por motivos similares no ano passado) e voltarei no dia 07 de Janeiro. Eu estava sem ideias sobre o artigo de hoje — nem sempre elas vem e não quis apelar para seções regulares. Decidi, então, abrir as portas para os leitores… em um esquema de perguntas e respostas.

Não é nada muito complicado. É uma forma de agradecer aos leitores pela sua presença ao longo de tanto tempo. Este blog chegou às cem postagens outro dia mesmo e isso não teria acontecido sem essa via de mão dupla. Nada mais justo do que abrir essa porta para a participação de todos. Por outro lado, eu decidi fazer tudo sem grandes bagunças. Assim, vou organizar as perguntas sob quatro temas: o RPG, o cenário, o romance e o… “só por curiosidade”.

De modo geral esses temas são auto-explicativos. O “só por curiosidade” fica por conta das perguntas fora desses tópicos — qualquer bobagem pode entrar aqui, a ideia é se sentir livre mesmo. Tentei abrir espaço para todo mundo, sim, mas nem todos soltaram perguntas para todos os tópicos e por isso permiti duas perguntas de uma mesma pessoa. De resto, vamos direto ao ponto. Prometi, no twitter, não responder com evasivas e o resultado é este aqui:

Eu sei, eu sei, mas esse é o único registro de RPG em uma série mecha…

O RPG

Essas perguntas são sobre, claro, o novo RPG ainda no forno. Ele já está escrito, estando em sua fase de edição de regras (ô Marlon!). Muita coisa sobrou dele: o primeiro manuscrito chegou a ter cerca de um milhão e quatrocentas mil palavras — e a parte descartada do conteúdo migrará para suplementos futuros. Ele se beneficiou desses oito anos de material prévio para o cenário mas será um manual básico, no final. De resto, vamos logo às questões?

Thiago Hackbarth: “O RPG vai ser uma variante de 3D&T, essa variante vai ser aberta? Vai ter uma SRD?”

O plano original era este, sempre foi. A ideia era fazer de BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG o primeiro OGL oficial do sistema. Infelizmente, os documentos relacionados ao SRD de 3D&T só poderão vir depois do jogo ser lançado — salvo se tivermos alguma surpresa positiva no caminho. Mas fiquem tranquilos: feito isso, o sistema será oficialmente aberto.

Thales Barreto: “Como ficam os Implementos num sistema sem magias? Vai ter uma lista de Implementos?”

Teremos implementos: o 3D&T original tinha listas de magias e isso nunca matou ninguém, mas as regras serão diferentes nesse sentido: eles serão dedicados apenas às máquinas (robôs, naves, veículos, itens especiais). Seres sencientes terão manobras (herdeiras dos antigos “poderes de kit” do Manual do Aventureiro) e ambas serão diferentes entre si.

Mas não se preocupem: os ataques especiais continuam com tudo!

Matheus Medvedeff: “Teremos uma nova campanha nos moldes da Belonave Supernova?”

Não é impossível, mas não está nos planos imediatos (leia-se, totalmente escrito). O primeiro suplemento do novo Brigada já está escrito e, salvo se alguma orientação editorial mudá-lo, se chamará Aventureiros do Sabre. Mesmo assim pretendo fazer um volume compilando aventuras novas e antigas (como “A Face de Stéphanos”… com regras atualizadas, claro) em um pacote só.

Natan Tomé:“O estilo de ilustração do novo material vai seguir as diretrizes de Design da imagem de capa do post de reapresentação?”

Na verdade a imagem já segue essas diretrizes. Se vocês olharem bem, os novos visuais podem ser encontrados justamente na capa de “Arquivos do Sabre”, o livro que fecha Brigada Ligeira Estelar Alpha (como um sinal do nosso próximo passo, após Batalha dos Três Mundos)… e olhe para nosso mecha design atual neste site.

“Novva Tokyo”: Quais os spoilers possíveis pro salto que vai ter na linha do tempo?

Bom, a presença dos andro-ginóides vai afetar a tecnologia de combate no Sabre — o novo Hussardo Imperial inclusive é fruto dela. Teremos a inclusão do planeta Saumenkar (e da Aliança das Seis Luas de Dabog) na lista de planetas e pelo menos um mundo terá novos governantes. Mas o salto será pequeno: há muita coisa ainda não-explorada devidamente no status anterior.

Agora são vinte e um mundos básicos… e um deles vale por seis!

O Cenário

Como dito lá em cima, nós tivemos oito anos de material prévio. A ambientação terá algumas atualizações pontuais e um salto pequeno de tempo: de 1863 C.E. para 1865 C.E.. Há motivos: simplesmente não explorei todo o potencial do cenário no contexto presente e poucos planetas precisavam de viradas radicais. Assim, a maior mudança são as inclusões do planeta Saumenkar (pós-B3M*) e da Aliança das Seis Luas de Dabog (apresentada na DB 119). Vamos lá:

Nicholas Ataíde: existem mechas autômatos no cenário ou algo parecido como tentaram fazer em Evangelion e outros animes de mechas?

O mais próximo disso são os robodrones (ver Belonave Supernova) e é tido como antiético e criminoso comandá-los à distância. Quanto a robôs autônomos à la Transformers, não oficialmente — MAS com andro-ginoides como personagens jogadores, não necessariamente com corpo físico e se o mestre de jogo permitir… por que não?

Matheus Medvedeff: Assim como nos romances dos Mosqueteiros, teremos alguma organização paralela, fundada pelos políticos da Constelação do Sabre, sendo totalmente dentro da lei, para se contrapor à Brigada e seus hussardos?

Na verdade as guardas regenciais existem exatamente para desempenhar esse papel. Elas são os “Mosqueteiros do Cardeal”, pulverizados e personalizados em diferentes planetas… e oferecendo mais variedade do que uma única guarda.

Sempre teremos oportunidades para um duelo de sabres energéticos!

“Novva Tokyo”: Seria possível definir, numa palavra, que tipo de personagens podemos criar em cada planeta ou do que se trata aquele planeta?

Em geral, sim — mas há superposição, causada justamente pela presença do gênero mecha como elo de unificação. Se pensarmos bem, as colunas “Por dentro do Sabre” procuram definir esses conceitos por alto: Tarso é o planeta cyber-ditatorial, Altona é o planeta Metal Hurlant e por aí vai. Isso merece um artigo…

Alex Gabriel: Um proscrito que tivesse perdido a memória na infância poderia ser criado como uma criança normal, ao menos aparentemente? Ele poderia aprender a ser mais humano por causa da sua criação?

A resposta é… Talvez. Apesar de tudo, há efeitos neurofisiológicos envolvidos (há motivos para as pistolas Ixion os identificarem). Isso gera algumas perguntas: se o efeito for posterior, isso pode ser impedido? E, se acontecer, pode ser revertido?

Matheus Xenofonte: “Como funciona a produção dos hussardos e porque eles são tão padronizados??”

É uma produção industrial, ora. Nesse sentido a inspiração veio do real: aviões e veículos tem vários modelos diferentes entre si mas obedecem a diretrizes comuns (asas, caudas, etc.). Além disso, eles não são os únicos tipos de robôs bípedes (como os Lanceiros). Os tepeques surgiram justamente para permitir aos jogadores maior variação sobre essa base.

Antes que vocês perguntem: sim, escrever dá trabalho pra cacete.

O Romance

Ah, eu não esqueceria disso… embora seja dividido em três volumes, eu não consigo deixar de olhá-lo como um livro só — para mim ele é “o” romance, e não uma trilogia, mas como ele se tornou um animal mastodôntico… é melhor ir por partes mesmo. Os eventos do seu terceiro volume são um dos fatores de virada nesse salto de tempo do cenário. Não posso omiti-los no novo RPG, mas espero manter o interesse dos leitores em saber como isso tudo aconteceu.

“Mushi-San”: o romance vai mudar algo no lore ou no status quo do jogo?

Vai. Na verdade um dos eventos do terceiro volume é mencionado por alto na cronologia atualizada — é um spoiler mas, em algum momento, cheguei a crer na possibilidade dele sair ANTES do novo RPG. Reescrever, tirar trechos, inserir novos, tirar personagens, colocar novos… enfim, esse processo todo toma muito mais tempo do que o ato de escrever um livro em si, podem acreditar.

Rod Salles: Qual será o tamanho do romance? E onde na cronologia do Brigada Ligeira Estelar esse romance se encaixa?

O Volume 1, na última versão enviada (com certeza vai mudar com a edição), tem 523.986 carácteres com espaços, divididos em 52 capítulos. O número de páginas dependerá do designer. Já o encaixe deles na cronologia se dá em 1864, poucos meses após a Batalha dos Três Mundos — ou seja, os efeitos ainda são distantes na vida de todos.

“Princesa Balfour”: “Vai ter romance ou só batalhas de mechas?”

Isso é parte do gênero e eu não seria… honesto com este se fosse tão diferente (falamos um pouco sobre o tema, AQUI e AQUI, e até pontuamos como isso deve ser equilibrado para não tomar conta de tudo, AQUI). Mas romance também costuma ser uma dor de cabeça, em algum grau, para os envolvidos — e como os protagonistas são adolescentes, vocês vão é sentir muita raiva deles. É deliberado.

“Príncipe Herdeiro”: O romance vai se passar em qual planeta?

Sim, a pergunta de um milhão de falcões… tá, nem tanto. A história vai se passar em (rufem os tambores) Albach! Um mundo de construções gigantes, nostalgia de um passado colonizador e sonhos de grandeza destruídos! Sim, tudo seria centrado em um dos mundos menos populares do cenário e isso foi deliberado: eu quero ver a opinião dos leitores sobre esse planeta após o final da trilogia.

Vitor Guima: Vai revelar de onde vem os Proscritos?

O local, em si, não. Mas o terceiro volume revelará sua verdadeira natureza e as peças finalmente começarão a se encaixar de vez. A propósito: em versões preliminares da história, eu planejava isso abertamente e faria sentido mas era muita coisa para a trama. Apesar de tudo, é preciso fazer o material funcionar como história em si. Um toque: os Proscritos nunca fizeram disso realmente um segredo.

E agora é a hora do vale tudo.

Só por Curiosidade:

Se há algo fora das categorias anteriores a se encaixar, ela estará aqui. Toda curiosidade sobre a produção ou o material cabe aqui sem problemas. Sintam-se à vontade para qualquer bobeira à mente, qualquer uma, de verdade: eu não mordo e prometi não responder com evasivas, lembram-se? Nem tenho uma ideia prévia do que me espera nessa parte — apenas esperei as perguntas, fossem quais fossem, e cruzei os dedos. Agora sentem-se, relaxem… e digitem.

“Mushi-San”: “Algo em BLE ou obra tua foi feita pra ‘alfinetar’ algo ou alguém?”

Fiz uma homenagem ou outra e não é difícil perceber de onde vieram Carandini de Scaramanga ou Lacky Macoco… mas, assim como procuro não me inspirar em amigos e namoradas, embora já tenha pego dois sobrenomes de amigos, procuro também não fazer sátiras abertas (para não deixar a obra datada), nem referenciar pessoas das quais não gosto. Lembrança ruim só traz desgaste.

Eduardo Bandeira Lima: “Durante a criação do cenário, sempre foi a intenção fazer real robot? Aquela menção ao SWROG me inspirou muito a jogar uma mesa assim.”

Sempre, mas as pessoas se esquecem: a linha entre o real robot e o super robot tende a ser bem nebulosa. Ao definir tons narrativos e pontuações adequadas, eu cubro justamente essa escala: para fins de comparação, Votoms é árido, o Gundam original é aventuresco… e SWROG é o U-Huuuuuu total!

SWROG é talvez o mais bem acabado exemplo do U-HUUUU total no real robot.

Clauvin Almeida: Qual foi a ideia mais fora do usual que surgiu para um futuro jogo de computador de BLE?

O primeiro roteiro proposto. Estudei alguns jogos de mecha japoneses… e deu nisso: um jovem alferes da Brigada Ligeira Estelar procura sete donzelas cujo código genético é importante para garantir o acesso a uma estação espacial secreta, antes que a TIAMAT o fizesse. Quando notei, eu tinha uma comédia de harém nas mãos. Por sorte foi recusada!

Calvin Semião: “existe a possibilidade de adaptação do cenário pra outros sistemas além do 3d&t??”

Sendo direto… não. Talvez um dia isso mude mas, hoje, nem nos passa pela cabeça. Porém, sempre deixei claro: se você gosta do nosso cenário mas não gosta do sistema, adapte para seu sistema favorito (só não espere isso de mim ou da editora). E mesmo assim, dê uma chance às regras do novo BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG! Você vai se surpreender — acredite!

Estevão Costa: Como são divididas as forças armadas na Constelação do Sabre?

No topo, divisões (9 a 20 mil unidades), divididas em brigadas (5 mil unidades de regimentos e batalhões em funções especializadas — hussardos e lanceiros são forças de assalto e carga, respectivamente). Depois, regimentos (2 mil unidades) e, a seguir, batalhões — (centenas de soldados divididos em companhias).

Até a próxima e que todos sobrevivamos ilesos ao ano 0064 C.E.

DISCLAIMER: todos os direitos autorais das imagens utilizadas pertencem a seus respectivos proprietários. Nenhum direito autoral está sendo prejudicado aqui.

4 comentários

  1. Esse roteiro de harém daria um anime otaku de 3 temporadas no Japão. Ou uma Light Novel de título escabroso de 20 volumes. ahuahauhauahauhau

    Fico muito feliz (e empolgado) com as respostas. Parabéns pelo ótimo trabalho no blog e sucesso em 2021. Tomara que os lançamentos desatolem ano que vem. E pelas estrelas do universo, um ano melhor a todos.

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