Vilões e Ameaças – 25/03/21

Brigada Ligeira Estelar, como já sabemos muito bem, é inspirado em um subgênero da ficção científica com muita rodagem na animação japonesa. Por essa razão, há quem pense ser necessário assistir desenhos animados para lá de antigos para poder jogar. Ledo engano, meus caros: nós trabalhamos duro para minimizar isso e deixar o cenário caminhar pelas próprias pernas. Mas parte do papel do mestre de jogo é trazer ameaças e vilões para suas campanhas…

…e talvez isso traga um trabalho extra para ele. O jogador pode até se beneficiar das referências, ou talvez precise de uma ou de outra quando estiver perdido no escuro, mas idealmente ele só deveria precisar montar sua ficha e rodar. Por isso, sugerimos justamente exibir alguns vídeos escolhidos antes mesmo do primeiro dado ser rolado. A ideia é resolver tudo de uma vez — sem precisar apelar para referências novamente e apenas aproveitar o jogo.

Mas por que não reunir alguns arquétipos de vilões para os mestres usarem em suas campanhas? Se eu me disponho periodicamente a reunir “Piores tipos de jogadores” para este nosso site (tá, eles são divertidos), por que não fazer isso com algo útil? Assim, estamos abrindo uma nova seção, para inspirar os mestres a criar vilões típicos para suas campanhas de Brigada Ligeira Estelar. Sendo assim, vamos parar com o nariz de cera e começar de uma vez!

Cima Garahau: você não sabe se quer sua morte para se livrar de
uma vilã tinhosa ou para acabar com o seu sofrimento eterno.

O Renegado

O termo batizará, por aqui, as forças beligerantes após o final oficial de uma guerra. Todos os atos posteriores ao encerramento formal desta serão julgados pela lei comum, salvo se eles conseguirem algum perdão oficial por algo MUITO digno de nota para se redimir — algo pouquíssimo provável. Costuma ser agravado pelo fato deles não contarem mais com uma infra-estrutura militar, precisando cometer crimes para prosseguir na sua luta sem esperança.

NOS ANIMES: Cima Garahau, de Gundam 0083. Uma das minhas vilãs favoritas no gênero. Vilanesca até a medula, não dá para desculpar seus atos (sendo sincero, Zion se tornou um veículo para muitos fãs externarem seu próprio criptofascismo)… MAS ao mesmo tempo, é difícil não sentir certa empatia por quem desperdiçou sua vida por uma causa perdida, viu sua juventude e sua beleza passando sem tê-las fruído — e sabe estar caminhando para um fim trágico.

RENEGADOS EM CAMPANHA: em geral, Renegados são figuras ao mesmo tempo ferozmente vilanescas… e tristemente trágicas: eles podem até defender a pior das causas, mas continuarão na luta por não terem mais para quem ou para onde voltar*. E, por não terem mais nada a perder, são capazes de se agarrar a planos desesperados: se há alguém disposto a morrer e levar um mundo inteiro junto, são eles. “Um homem sem esperança é um homem sem medo,” lembram?**

É complicado definir a posição de Sara Nome nisso tudo, mas ela realmente
se classifica como uma “Dama do Apocalipse” em Macross Zero.

A Bomba-Relógio

Desde o início, poderes psiônicos fazem parte do Real Robot. Os Newtypes de Gundam (e suas variantes, como os X-Rounders de Gundam Age), os Psychodrivers de Super Robot Wars OG, os usuários do Geass em Code Geass, os Divers de Five Star Stories… vocês entenderam! Com o advento dos anos 90 e do mercado de home video***, experimentos genéticos e outros desvios de norma se juntaram ao pacote. Infelizmente, de algum modo, eles podem dar muito errado.

NOS ANIMES: Sara Nome, de Macross Zero… e vamos soltar spoilers aqui,você foi avisado. Escolhemos ela, dentre tantas “Damas do Apocalipse”, por ser uma variante incomum: ela não é nem o gatilho da arma, nem a própria arma em si — ela comanda a arma. Na verdade, ela só cumpre um papel de milênios como a sacerdotisa daquela ilhota. Não está exatamente saindo do controle mas, por ter o pino da granada guardado desde sempre, ela é uma bomba-relógio.

BOMBAS-RELÓGIO EM CAMPANHA: Em cenários aonde poderes são naturalizados, quem aparece é uma variante turbinada (como os Cyber Newtypes de Zeta Gundam). Não importa: cedo ou tarde alguém sairá do controle. Infelizmente, ela nos desperta empatia e a protegeremos em sua jornada até ser tarde demais. Se a Bomba-Relógio se revelar em algum ponto, é por estar finalmente consciente de seu poder, deixando de ser algo tão fácil de se enfrentar como antes.

Em AICO: Incarnation a ameaça ainda pode ser detida — e essa abordagem é conveniente
em Brigada Ligeira Estelar: ninguém quer destruir o resto da ambientação, certo?

O Incontrolável

Diferentemente da bomba-relógio, ele não é uma pessoa e provavelmente não é humano. Pode ser um monstro, uma inteligência artificial… enfim, ele é algo, não alguém. Na maior parte do tempo ele pode funcionar como um gimmick, sendo liberado apenas no final (nesse caso, enfrentaremos vilões menores sem uma ideia real das forças com as quais eles estão brincando)… ou ser uma ameaça monstruosa desde o princípio, mas esconder uma virada surpreendente.

NOS ANIMES: a Matéria, de AICO: Incarnation… uma horda de seres sintéticos monstruosos em multiplicação desenfreada graças a um acidente de laboratório. Escolhemos essa por estar delimitada a uma zona de quarentena, cabendo aos protagonistas resgatar suas vítimas. Isso é adaptável conceitualmente a sua campanha de Brigada Ligeira Estelar: na maior parte dos animes, esse tipo de ameaça precede a destruição da civilização. Não queremos isso, certo?

O INCONTROLÁVEL EM CAMPANHA: O importante é manter os protagonistas no escuro sobre a real natureza da ameaça. Uma infestação descontrolada de gosma cinzenta**** em áreas restritas? Uma forma biológica monstruosa geneticamente engendrada se espalha? No final, estamos ocupados demais em manter seus efeitos sob controle para percebermos as causas. Usem esse recurso narrativo com cautela: nos animes, isso frequentemente precede o fim da civilização.

Bom, nem tanto. Em animes como Eureka Seven ou Blue Gender, a ameaça também ajuda a estabelecer
o cenário — e planetas como Moretz na Constelação do Sabre (e seus fungos) refletem isso.

Ao começar com esses três, preciso me deter sobre uma explicação: qual o motivo para não se começar com o arquétipo do Mascarado? Porque já falamos dele… em Belonave Supernova, Volume 1 (página 19). Nesse livro, falamos dos arquétipos comuns no gênero. Preste atenção nos arquétipos Lugar-Tenente (pág. 23), Contendedor (pág. 29), Orgulhosa (pág. 43) — e, no Volume 2, nos Espelho (pág. 6), Calhorda (pág. 7), Aristocrático (pág. 8) e Leal (pág. 27).

Sim, queremos ver vocês correndo atrás desses livros. Não, não vamos ser hipócritas. Mas fiquem tranquilos — ainda temos bala na agulha. Nós queremos oferecer uma grande fonte de ideias para vocês não precisarem necessariamente sair à caça delas… ou saírem apenas por conta da diversão. Parte fundamental da função do mestre de jogo é colocar ameaças no caminho dos jogadores. Essa é a razão de ser desta seção.

Dito isto, até a próxima e divirtam-se.

Até!

* Um bom exemplo disso são os Bushwhackers pós-Guerra Civil estadunidense. Alguns faroestes revisionistas como Cavalgada com o Diabo, de Ang Lee, e Juramento de Vingança, de Sam Peckimpah, são recomendáveis para os interessados no assunto.
** A frase é do Frank Miller, eu precisava dar esse crédito.
*** A era do OAV. Falei disso AQUI.
**** Também conhecida como Grey Goo. Mais detalhes AQUI.

NO TOPO: o Bird Human — a arma biotecnológica do fim do mundo deixada pela Protocultura em Macross Zero.
DISCLAIMER: Gundam 0083 é propriedade da Sunrise, Inc.; Macross Zero é propriedade de Satelight e Studio Nue; Eureka Seven e AICO: Incarnation são propriedade da Bones, Inc.; imagens presentes para fins divulgacionais, sem infração de direitos autorais.

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