O que é um Galeão?

Mais uma vez, os robôs de combate em Brigada Ligeira Estelar foram inspirados na cavalaria clássica: hussardos são usados para ataques de assalto, lanceiros para ataques de carga, caçadores para busca e rastreio, dragoneiros como tropas montadas de armamento leve, couraceiros com armas pesadas e trajes blindados, carabineiros, para ataques à distância… e quando falamos em naves, a analogia natural é a marinha, vide o cruzador, de quem já falamos.

E essa é uma analogia muito tradicional na ficção científica. De franquias como Jornada nas Estrelas ou Guerra nas Estrelas a animes clássicos como Patrulha Estelar, estamos repletos de cruzadores, porta-aviões, contratorpedeiros e tantos veículos navais convertidos em belonaves espaciais. E, como dito no nosso artigo anterior sobre máquinas de combate, essas naves são simbólicas — vistas como um companheiro a nos resguardar das ameaças do cosmo.

E quanto às grandes naves-cidade que abrigam outras belonaves (e milhares de habitantes) enquanto se navega até algum ponto distante do universo? Bom, elas não tem muito paralelo na vida real. Por isso, eu quis batizá-la com um dos maiores potentados náuticos já surgidos na era dos navios à vela. Quando esse navio entrava na jogada, é porque o assunto era sério! Assim, nós vamos apresentar aos jogadores de Brigada Ligeira Estelar a classe Galeão!

Pense nos canhões de filmes de pirata. O Galeão tinha andares inteiros cheios deles!

O Galeão Original

Como de costume, vamos começar com um pouco de história. O galeão surgiu como uma consequência natural da evolução tecnológica dos navios no século XVI, quando os cascos foram alongados e os castelo de proa da nau foram rebaixados, garantindo maior estabilidade no oceano e reduzindo a resistência do vento na proa. Ou seja, os navios ficaram mais velozes e manobráveis. Nesse contexto, o galeão era uma verdadeira fortaleza armada em forma de navio!

Aqui entram nossos velhos amigos lusitanos. Após Vasco da Gama (o navegador, não o time) estabelecer a Rota do Cabo para as Índias, foram estabelecidas as Armadas Portuguesas da Índia — frotas comerciais grandes e bem protegidas, com naus de 400 toneladas em média. O surgimento dos novos modelos levou ao final gradual das naus de defesa nessas viagens: elas passavam a ser reservadas apenas para carga, escoltadas por galeões armados até os dentes.

Eventualmente essa supremacia não iria durar para sempre…

Para se ter uma ideia de como esses navios eram cascudos, o galeão português Santa Luzia, de menor porte (350 toneladas e trinta canhões), se tornou famoso por derrotar sozinho, duas vezes, uma armada de nove navios holandeses em 1650. Aquele considerado o maior navio de seu tempo, o também português Padre Eterno, pesava 2000 toneladas e carregava 144 peças de artilharia. Não eram impossíveis de vencer mas encará-los sem estratégia era suicídio*!

Como de costume, o declínio dos galeões aconteceu por conta da tecnologia. A partir do século XVIII surgiram embarcações mais rápidas e ágeis que se mostraram mais adequadas para o combate e o transporte de cargas em comparação com os galeões, mais lentos e volumosos. O naufrágio do galeão espanhol San José, afundado em 1708 pelos britânicos e um santo graal dos caçadores de tesouros, se tornou um caso emblemático. Dito isso, vamos para o espaço!

Compare a principal nave-colônia de classe Macross às demais naves da frota.

O Galeão Espacial

Vamos por partes: no novo BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG, há uma menção discreta sobre a construção de um novo modelo para longas viagens no espaço profundo, até muito, muito longe da Constelação do Sabre. Uma nave de porte monstruoso, capaz de abrigar milhares de pessoas, naves e robôs — e gerando energia o suficiente, por todo o tempo dessa jornada, para abastecer não só uma verdadeira cidade mas também as suas defesas. E eu a batizei como galeão.

Como vocês sabem, a ideia por trás de BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG é trazer os tropos mais clássicos da ficção científica japonesa. Por maior que fosse o espaço da própria Constelação, com muitas áreas a mapear, já havia passado da hora de estabelecer a possibilidade de viajar para território realmente desconhecido. Eu queria algo realmente grande, como a SDF-1 do clássico Superdimensional Fortress Macross ou a Sidonia de, bem, Knights of Sidonia.

Pode não ser a mais bela nave do universo, mas cabe o que sobrou da humanidade.

Nem é preciso ir longe para pensar em naves nesse sentido. A Enterprise-D de Jornada nas Estrelas: a Nova Geração ou mesmo a belonave Galactica são naves de grande porte capazes de abrigar muita gente e encarar longas distâncias, embora esta última opere em um caso de pior cenário possível. Quis evocar a ideia de uma nave-fortaleza espacial, capaz de intimidar armadas inteiras. Guardando as devidas proporções, o Galeão me pareceu uma boa escolha.

Mais do que um simples veículo de porte gigantesco, um Galeão deveria funcionar como um microcosmo para fins dramáticos. Seus reatores não apenas o propulsionam através do vazio, mas alimentam ecossistemas internos, fábricas de emergência e campos de força defensivos capazes de repelir ataques de pequenas frotas. Ele é o mais importante a ser protegido para os protagonistas. Perdê-lo é perder tudo, perder a vida de todos, é fazer tudo ser em vão.

A clássica Galactica é um bom exemplo também — basta compará-la com as demais naves da frota.

Um Galeão não apenas leva tropas e naves de apoio; é um verdadeiro “Estado flutuante” armado. Manobrá-lo exige coordenação colossal e é uma tarefa lenta, tornando-o vulnerável a emboscadas coordenadas ou a ameaças ágeis em grande número. Sua imensa população e infraestrutura criam dramas internos inevitáveis — intrigas políticas, escassez de recursos críticos, falhas sistêmicas em cascata — que podem ser tão perigosas quanto os inimigos externos.

Para jogadores de Brigada Ligeira Estelar RPG, um Galeão não deve ser só um cenário, mas um personagem. Ele oferece cenários épicos de defesa do casco contra invasores, missões de reparo crítico em seções danificadas, investigações de conspirações entre seus habitantes e claro, batalhas titânicas onde ele próprio entra na linha de fogo, com seus canhões de longo alcance e hangares de interceptadores despejando tiros contra ameaças que o desafiam.

Sim, isso tudo está dentro de uma nave monstruosamente grande.

Ah, falando em “titânica”: dentro do sistema de escalas (ver página 84 do livro), um Galeão não deveria ter escala menor do que… Titânica, dã. É importante que ele tenha também um ou mais canhões principais de energia, também — basta lembrar do espetacular Canhão de Energia Superdimensional com Sistema Convergente de Polarização de Feixes, no citado Macross. O nome é technobabble pura mas, cá entre nós, o efeito em combate é sempre um espetáculo!

Assim como seus análogos navais, este modelo não deveria ser encarado só como uma belonave. Ao batizar esta classe com o nome Galeão, buscamos um senso épico de exploração em escala monumental, a resiliência necessária para jornadas intermináveis, a implacável capacidade de proteger seu povo através do poder de fogo absoluto. O Galeão, aqui, representa o bastião móvel da humanidade contra sua maior ameaça. Pense nisso.

Até a próxima e divirtam-se.

* De acordo com o blog AntiguoRincon.com, “O (galeão) San Martín, construído em 1567, deslocava 1.000 toneladas. Tinha 37 metros de comprimento. Armado com 18 colubrinas (um canhão longo e fino, usado em sítios e em batalhas navais, especialmente entre os séculos XV e XVIII) de 18 libras; 22 meias-colubrinas de 9 libras e 12 canhões pequenos em duas pontes e tombadilho. Tinha uma tripulação de 117 marinheiros e 300 soldados, era o carro-chefe da Armada Espanhola, capitaneada por Alonso Pérez de Guzmán, Duque de Medina Sidonia”. Talvez não impressione tanto assim hoje, mas imaginem o que esse bicharoco representava na época.

DISCLAIMER: Knights of Sidonia pertence à Tsutomu Nihei via Kōdansha, Ltda. e Polygon Pictures, Inc.; Superdimensional Fortress Macross pertence à Tatsunoko Production Co., Ltd../Big West Advertising Co., Ltd. (BWA); Macross Frontier e Macross 30 pertencem aos Studio Nue, Inc. & Satelight, Inc.; Battlestar Galactica (o original) pertence à Universal Studios, Inc.; Imagens para fins jornalísticos e divulgacionais, dentro das leis internacionais de Fair Use.

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