Resenhas – 15/04/21

Se estamos aqui de volta, você já sabe: o autor deste blog não tinha uma ideia clara do próximo material a ser postado e por isso quebrou mais uma vez o vídeo de emergência. Repetindo o texto da postagem anterior, “falarei de filmes, livros, quadrinhos, RPGs, qualquer coisa potencialmente interessante como referência para os jogadores de Brigada Ligeira Estelar… preferencialmente ao alcance legal, é claro”. A partir daí, é só escolher e escrever.

Só avisando, mais uma vez: essa coluna vai ser bem esporádica. O motivo é simples: eu estou sobrecarregado. Tenho muita coisa a escrever ao mesmo tempo, procuro manter atualizadas minhas contribuições tanto para esta página quanto para o blog da Jambô e eu… sou apenas um ser humano, gente. Manter essa coluna em uma base regular me obrigaria a ler mais conteúdo regularmente para mantê-la atualizada. E isso me tomaria tempo da produção de material…

… ou me faria consumir material do gênero. E embora eu adore space operas, robôs gigantes e batalhas espaciais (e eu ainda consuma esses materiais), limitar-se exclusivamente ao próprio quintal é criativamente mediocrizante, gente. Pode não fazer diferença para quem apenas consome, mas para quem produz é desastroso — e vocês não vão querer ver os resultados disso no meu trabalho em Brigada Ligeira Estelar. Assim, vamos logo às resenhas da vez.

Robotech II: The Sentinels, de Ulm, Mason, Waltrip e Waltrip

As duas capas da Titan Comics para o mesmo encadernado.
O volume 2 está em pré-venda, a propósito.

SINOPSE: dez anos após a primeira série Robotech, Rick Hunter é uma figura militar de liderança… mas está em crise frente ao peso de seu cargo atual, às preparações de seu casamento com a comandante Lisa Hayes e a uma missão de paz para encontrar os Robotech Masters, sabotada desde o berço por interesses políticos. Infelizmente, o mundo dos Masters está sendo invadido pelos alienígenas Invid neste momento. Algo pode dar errado? Não, o que é isso…

COMENTÁRIOS: o espaço é curto e não vou perder tempo sobre a polêmica envolvendo Robotech. Indo ao ponto, esta deveria ter sido a continuação da primeira série, desenvolvida no final como literatura pelas mãos dos ótimos Brian Daley e James Luceno (sob o pseudônimo conjunto de Jack McKinney) e adaptada aqui por Chris Ulm e Tom Mason. É este o ponto no qual Robotech une suas pontas frankeinsteinianas e, finalmente, ganha identidade própria. Porém…

A arte é irregular ao extremo, com momentos muito corretos e momentos muito ruins —
O tão esperado casamento, inclusive, é um ponto baixo, sem muita defesa.

VALE A PENA? Na verdade vale: além de nos trazer os planos originais para a segunda série (abortados quando um financiador pulou fora), ele é uma excelente space opera. No entanto, a arte dos irmãos Jason e John Waltrip comprometeu e muito o projeto. Eles dominavam todo o básico, sabiam narrar visualmente, construir cenários, desenhar robôs… mas não estavam prontos para o trabalho ainda. Isso impôs um aspecto incomodamente fanzineiro ao material.

COMO REFERÊNCIA: aqui posso dizer — é praticamente obrigatório. Temos tudo para o mestre de Brigada Ligeira Estelar: missões espaciais, interferências de cunho político, desenvolvimento de personagens, andróides cantoras, espionagem, invasões interplanetárias, pilotos impulsivos… e tudo em um ritmo ótimo de leitura (exceto no grande evento, o casamento — que não só se arrasta como também é o ponto mais baixo da arte no volume 1). Leiam sem falta.

Astrokings, da Angames, Co.

Okay, esse trailer — com a queda do Império sob a invasão Crux —
é legal. Mas dêem uma olhada no gameplay depois, ok?

SINOPSE: após fugir da extinção nas mãos de uma aliança de raças alienígenas conhecidas como Crux, a humanidade se espalhou pela galáxia e acabou — como de costume — construindo um gigantesco império estelar. Séculos depois, a Crux retornou, destruindo esse império… e exterminando-nos a todo custo. É hora de reagir. Reconstruir o que resta da humanidade, agora balcanizada em várias nações espaciais, e revidar na mesma moeda, de uma vez por todas!

COMENTÁRIOS: este é um jogo de estratégia para Android. Você se torna um líder em seu planeta, tendo a Crux como ameaça constante — não é questão de se, mas de quando — mais uma ordem de eventos a cumprir caso vocês queiram deter os invasores (inclusive defendendo-se de piratas espaciais, dispostos a se aproveitar da fragilidade inicial sua reconstrução para saquear seus recursos). E, depois, será preciso se expandir para fazer frente ao inimigo.

Versão japonesa, com personagens desenhados por Leiji Matsumoto.
É claro, não é o ponto mais alto de seu trabalho, mas vale a olhada.

VALE A PENA? A princípio, me empolguei com o nome de Leiji Matsumoto (Capitão Harlock) no projeto até ver que isso era exclusivo da versão japonesa: nas versões padrão, Astrokings adotou uma estética “realista” — bem funcional nas ilustrações, mas questionável nos CGs. Levei tempo até encará-lo de verdade… e ele se mostrou viciante. Contudo, a partir de certo ponto, fica inviável jogar sem abrir a carteira. Desta vez, acabei jogando foi a toalha.

COMO REFERÊNCIA: para campanhas focadas na frente Proscrita, é uma mina de ouro. Nobres são responsáveis pela reconstrução do domínio (“precisamos de fábricas da Empimacom aqui”), cabe à Brigada proteger a área, piratas espaciais percebem-na como um alvo… Temos política no jogo, sim, mas ela é ridiculamente rasa (“Liberalismo versus Despotismo? Siga o liberalismo e teremos a revolução científica?”). Nós podemos fazer bem melhor na nossa campanha.

UFO, de Gerry e Sylvia Anderson

Enquanto a abertura puxa o lado aventuresco da coisa, o encerramento é sinistro
e nos mostra o espaço como um lugar frio e assustador, aonde estamos sozinhos.

SINOPSE: no futuro próximo de… 1980, a Terra está sendo invadida por alienígenas cujos recursos planetários foram exauridos e, para piorar, sofrem com algum tipo de degeneração física. Em desespero, eles nos vêem como tábua de salvação — como gado para transplante de órgãos. Para combatê-los, é criada a organização internacional S.H.A.D.O. mas o seu maior desafio é manter isso em segredo do grande público. E é aqui aonde as coisas ficam sombrias…

COMENTÁRIOS: esta série de 1970 é um cult absoluto da ficção científica televisiva britânica, criada pela dupla de clássicos com marionetes como Joe 90 e Thunderbirds — aqui, com atores (usando suas técnicas de miniaturas para naves, veículos e construções). Como ela está sendo relançada em DVD no Brasil pela World Classics, achei pertinente falar dela: é um anti-Arquivo X, aonde os heróis são guardiões dos segredos — e com uma abordagem de ação.

As séries de Gerry e Sylvia Anderson fizeram a cabeça de muitos japoneses.
Animes de mecha e tokusatsu assumidamente beberam muito dessa fonte.

VALE A PENA? Talvez não para todos. A narrativa é lenta para sensibilidades atuais. Por outro lado, as naves, veículos e traquitanas da S.H.A.D.O. são sempre um espetáculo. Na verdade, a série veio em um momento transicional da cultura pop — entre o colorido dos anos 60 e as sombras dos anos 70 — e ela sofre para acertar um tom*. Quanto ao produto físico, ele tem os mesmos aborrecimentos do DVD-Box de Galaxy Rangers. Só ajustando o formato na TV.

COMO REFERÊNCIA: a invasão proscrita não é segredo no cenário. Talvez um projeto secreto seja a melhor forma de incorporar seu tom: a S.H.A.D.O. pode ser inescrupulosa e a Inteligência Imperial do Sabre é mais conveniente, para quem prefere sujar as mãos, do que a Brigada Ligeira Estelar. É o terreno pantanoso de um Neon Genesis Evangelion — e convenhamos, as arapucas dos alienígenas de UFO são bem interessantes para puxar o tapete dos jogadores…

Só para fechar com a abertura do que deveria ter sido Robotech II
porque não houve muito espaço lá em cima.

* Só para esclarecer um pouco: os anos sessenta, de modo geral, tinham uma perspectiva positiva do futuro (basta lembrar de Jornada nas Estrelas) — mas no final dela, essa perspectiva já estava azedando (basta lembrar de Planeta dos Macacos) para afundar de vez na década seguinte (Zardoz, Corrida Silenciosa, THX 1138… vocês querem realmente uma lista?). UFO apresenta uma certa indefinição nesse sentido: ainda é ligado ao aspecto mais aventuresco da coisa, mas a natureza secreta da organização leva a eventuais atitudes inescrupulosas ou cruéis. Aliás, já no primeiro episódio temos momentos divertidamente cômicos (como a cena aonde um piloto larga a condução da nave para xavecar uma passageira) e momentos particularmente sombrios (como o destino da irmã de um dos operativos — e ele não pode contar a verdade para a família se quiser preservar o segredo da S.H.A.D.O.).

DISCLAIMER: Robotech e marcas associadas pertencem à Harmony Gold USA, Inc; Astrokings pertence à Angames, co.; e UFO pertence à Century 21 Films Ltd. — Imagens e vídeos para fins divulgacionais e jornalísticos.

Um comentário

  1. Nossa, UFO tem aliens com quase a mesma motivação que Majestic Prince. A premissa funciona bem para Altona também, se os alienígenas da antiguidade (desculpe, não resisti) decidirem voltar. Ou mesmo em futuros planetas atacados, caso queiram fingir que está tudo bem para a população (com consequências potencialmente catastróficas). Eu vejo Annelise fazendo isso, por exemplo. Mas se os Proscritos chegarem à Annelise, é porque ferrou de vez (ou os Proscritos acharam outro ponto de incursão no Sabre, o que faz uma premissa interessante por si só).

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