Piores Jogadores (com Mechas) – II

Lembram do artigo sobre “Piores jogadores (com Mechas)”, originalmente publicado AQUI? Ele, para minha surpresa, se tornou uma postagem muito visitada neste blog e isso só denuncia uma verdade universal: o povo gosta é de treta. Assim, em um ato absolutamente picare… digo, solícito de nossa parte para com nossos leitores, estamos fazendo uma continuação dessa matéria.

E certamente não será a última! jogador encrenqueiro não falta neste mundo; mestre de jogo arrancando os cabelos graças a essas malditas criaturas, também não; e, é claro, personagem digno de uns tabefes em anime de robô gigante é como erva daninha no meio do mato (vocês pensaram em algum, nesse instante, ao ler essas palavras. Tenho absoluta certeza — não mintam).

Ah, sim: comentários e sugestões sempre são bem-vindos — com certeza vocês já tiveram alguma experiência iluminada com tipos assim. Podem soltar o verbo sem culpa.

O Power Player

Kira Yamato, o pacifista da orelha esquerda

O Power Player cria personagens roubados. O jogador certamente faz seu dever de casa e esmiuça o cenário, mas tudo em busca de mecânicas úteis para tornar seu personagem mais forte. Não basta ser um evo em BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG, com maior resistência: ele vai criar uma história do tipo “fui criado em laboratório e por isso tenho sentidos ampliados”, pilotará um protótipo com capacidades únicas e infernizará o mestre com combos devastadores!

Nos Animes: Kira Yamato, de Gundam Seed. Modificado na gestação para ser “o” coordenador perfeito? Confere. Suas habilidades nerds fazem seu robô se adaptar a qualquer ambiente? Confere. Tem o Seed Factor (um fator ultra-evolutivo especial) tornando-o ainda mais roubado? Confere. Evolui seu robô de forma absolutamente cascuda (do Strike para o Freedom e seu Meteor; depois para o Strike Freedom com uma versão turbinada do Dragoon System)? CONFERE!

Como lidar com um Kira Yamato na sua mesa? Esse jogador costuma ficar entediado quando não há combate e enche o saco dos demais nessas horas (justiça seja feita, Kira tem um jogador mais esperto do que isso* — ele tenta interpretar só para disfarçar o power play mas, como essa não é a dele, acaba exagerando). Nesse caso, reserve a ele um combate muito difícil por sessão. O jogador ficará feliz e não vai amolar os demais em sua sede de otimização.

O Decorativo

Kaname é, sim, legal — mas é subaproveitada enquanto as demais brilham.

O Decorativo é um personagem muito bom… no papel. Tem um histórico interessante, ligações com coadjuvantes, uma posição na dinâmica no grupo, presença e carisma potenciais na ficha… enfim, tem tudo para funcionar. Infelizmente, quando chega o jogo em si, esse jogador entra em modo reativo e não tem iniciativa nenhuma. O mestre até se esforça, puxando esses ganchos para mover o personagem — mas ele se tornou, na prática, só um coadjuvante de luxo.

Nos Animes: Kaname Bucaneer, de Macross Delta. Líder de campo das Walküre (não sua lead singer, por várias razões). Nunca se abala em ação. Tem pose e estilo — é a mais cool das “cantoras de combate”. Veio de um planeta em guerra civil (sua eficiência em campo pode ter vindo daí) e um passado comum a liga ao piloto Messer. Até seu nome é bacana. Porém, enquanto as demais Walküre tem seus grandes momentos, ela é… apagada — até quando o foco é seu.

Como lidar com uma Kaname na sua mesa? No caso de jogadores novatos, pode ser mera insegurança. Dê tempo ao tempo. Vá usando os ganchos e tudo deve se ajustar. Mas se essa for sua natureza… os jogadores esquecerão de sua existência enquanto não for sua vez e, caso ela não distraia aos demais durante o jogo, deixe-a lá. Só não a atrele a outro jogador mais participativo na esperança de fazê-la interagir. Isso só vai criar aborrecimentos, acredite.

Os Insaciáveis

Shouma e Kiriko, de Daimidaler. Não vou mostrar aqui como ele ativa as partículas Hi-ERO dela.

Os Insaciáveis vem em dupla, sempre. Vejam, não há nada de errado em um casal jogar junto e é realmente saudável partilhar um hobby (na verdade isso evita o desgaste de se manter o hábito de jogar com os amigos e deixar a outra parte de fora). Porém, os insaciáveis não apenas estão pouco interessados no jogo como também aproveitam qualquer momento na qual não seja a sua vez para trocar germes sem pudor nenhum, deixando aquele desconforto na mesa…

Nos Animes: Shouma Ameku e Kiriko Kiyuna, de Kenzen Robo Daimidaler. Eu jamais imaginaria a simples menção dessa sátira aos super-robôs (com humor baixaria**) neste blog… mas definitivamente esses dois merecem o título! Quando a série é momentaneamente desfalcada de seu piloto de robô gigante tarado e sua nem tão relutante parceira, ambos assumem o posto de protagonistas — mas vivem agarrados o tempo todo, e nem os demais personagens os suportam!

Como lidar com um Shouma e uma Kiriko na sua mesa? Sendo direto, isso é no mínimo uma grosseria! É mais comum quando um dos jogadores traz a outra parte “para ver como é” e, em geral, o casal não retorna nesses casos. O ideal é prevenir: caso você convide uma jogadora e ela disser “posso trazer meu namorado?”, explique o problema e peça antecipadamente por compostura. É chato, então seja educado — mas dando certo, o casal pode ser uma boa adição.

O Cretino

Um personagem cretino pode ser divertido. O problema é o jogador cretino.

Não há nada de errado em jogar com um personagem cretino. Para isso, no entanto, o jogador precisa ter em mente duas coisas: primeiro, a figura em questão é questionável e se o personagem não estiver ciente disso, ele deve estar; segundo, há limites a se manter. Infelizmente, alguns realmente se aproveitam de seu personagem para serem cretinos para com os demais, ofendendo e até prejudicando personagens dos outros jogadores. Isso não vai prestar.

Nos Animes: Bernard Monsha, de Gundam 0083. A princípio ele destoa por ser um cretino… divertido: berra “anos 80” com seu seu bigode à Tom Selleck, bebe pelos cantos, arruma briga, amola as mulheres (se dando mal), arma duelos, se acha o maioral… se fosse só isso, tudo bem! Mas ele também pode ser muito mau-caráter — e bagunça impulsivamente as luzes de um hangar enquanto um colega com quem brigou aterrissa, podendo causar uma tragédia. Qual é, cara?

Como lidar com um Monsha na sua mesa? Se um cretino criar mal-estar entre os demais, for rude e responder “estou só interpretando” quando reclamarem, ele: ou está ciente de seus atos… ou é estúpido demais para entender sua atitude e, por isso, não vai mudá-la. O melhor procedimento é premeditar a morte desse personagem e, nas sessões seguintes ir jogar em outro local — ele sempre pode bater à sua porta para ver se tem jogo, só para encher o saco!

O esperado momento de se livrar do jogador cretino em uma mesa…

Um último toque: o importante no final é sempre a diversão. Se um jogador não prejudicá-la, ele não é um problema. E já fui um entrave na mesa: era meu último semestre na faculdade, eu só queria algo leve nos fins de semana para relaxar um pouco e fui convidado para um grupo de Exalted RPG. Infelizmente eu não tinha como me aprofundar nas regras àquela altura. Meu personagem não andava, eu não me relacionava com o cenário e no final, decidi sair.

Tivemos uma sessão final para meu personagem. Tudo ocorreu sem dramas. Foi o melhor para todos: eu não apenas não estava me divertindo — eu dava trabalho ao mestre e prejudicava os demais jogadores. Então tenha sempre isso em mente: o jogador atrapalha? Se não, deixe-o livre. Se sim, ele tem conserto? Se não tiver, paciência. Não é nada pessoal e, piadas à parte, não é preciso esculhambar ninguém…

Salvo o jogador cretino. Ele merece!

Até a próxima!

* Heero Yui, de Gundam Wing, é um Power Player mais típico e provável de aparecer em sua mesa — ele pôs todos os seus pontos em perícias de combate e pilotagem mas é uma negação no resto (qual assassino chegaria para seu alvo e diria na frente de todo mundo “eu vou matar você?”). Mesmo assim, nem ele chega aos níveis apelões de um Kira Yamato e por isso este é o campeão do nosso pódio.
** Aviso: a baixaria não é pouca. Daimdaler é uma série para maiores de dezoito anos. Se vai encarar, faça-o por sua própria conta e risco — nós não nos responsabilizamos.
Imagem de topo: o Monsha, por razões óbvias. E um agradecimento à Cecília Santos por ter me cantado a bola do Kira. Tava na cara e eu nem tinha percebido. 😀

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