Gerador Aleatório de Aventuras

Recentemente, falei de referências para a criação de aventuras fechadas dentro dos desenhos animados japoneses — afinal, o problema inspirador do artigo veio das referências à mão do jogador. Mas com certeza você, leitor prático e objetivo, esperava por uma fonte mais efetiva quanto a aventuras fechadas. Não priemos cânico, como diria o velho Bolaños: estamos trazendo aqui um… gerador aleatório de ganchos de aventura para Brigada Ligeira Estelar!

Antes de mais nada, o crédito a quem é devido: a inspiração veio dos geradores aleatórios da Adamant Entertainment para o Star System — uma linha de ficção científica para o sistema D20. Eles podem ser encontrados na Drive Thru RPG e custam uma ninharia (abram a mão ao invés de piratear, isso não mata ninguém). Obviamente, esta é uma versão bem mais simplificada e adaptada para o universo da Constelação do Sabre — mas os princípios são os mesmos.

A ideia é simples: “Os protagonistas [FARÃO] [ALGO] em [UM LOCAL] de [ALGUM LUGAR], mas precisarão lidar com [COMPLICAÇÕES] enquanto enfrentam [UMA OPOSIÇÃO].” Cada item terá uma tabela e vocês jogarão 2d6, um dado para a coluna horizontal e outro para a vertical — basta comparar os resultados e preencher essas lacunas. O resto é com o mestre: tire algum sentido disso. Se não houver jeito, escolha ou role de novo… mas não o faça sem tentar antes!

Os protagonistas [Farão]…

… [Algo ou Alguém]…

… Em um(a) [Local]…

… De [Algum Lugar]…

… Mas Precisarão Lidar com [Complicações]…

… Enquanto Enfrentam [Uma Oposição].

Eventualmente os dados criarão combinações absurdas. Há duas formas de se lidar com isso: rolar tudo novamente (talvez apenas a tabela problemática)… ou arrancar uma trama desse caos. Imagine este resultado: “Os protagonistas salvarão proscritos em uma glaciação no Quadrângulo Negro mas precisarão lidar com invasões enquanto enfrentam alguém misterioso nas sombras”.

Por qual motivo alguém iria querer salvar proscritos? Bem, esse foi meu resultado:

Em Uziel, testou-se um protótipo com uma tecnologia secreta (classificada como prioritária pelo Império)… mas proscritos invadiram a base. No ataque, mataram o seu criador — ou seja, essa tecnologia não poderá ser recriada nas atuais condições e mesmo os computadores com seu conteúdo eram de posse pessoal, tendo sido devastados no ataque. Mas ela pode ser rastreada: foi incorporada a uma quimera — e cabe a um esquadrão resgatá-la sem nenhum dano.

A quimera seguiu em direção ao quadrângulo negro e satélites espiões localizaram uma até então oculta anã-marrom batizada de 669b. Ao seu redor existem apenas dois planetas e um deles tem água mas, devido às condições ambientais, ela congelou toda em sua superfície sem ao menos ter tido tempo de evaporar. Os proscritos a usam para remover imensos blocos de gelo e assim, ter um imenso suprimento de água a dessalinizar e consumir em suas campanhas.

O problema: mineradores do Quadrângulo Negro descobriram esse mundo.  E eles não avisaram as autoridades justamente para requisitar a posse e exploração desse planeta. Portanto, eles estão armando uma invasão armada para exterminar os relativamente poucos proscritos presentes: estes apenas a usam como uma base pontual de operações. O inimigo não é digno de piedade, verdade — mas se isso acontecer, a tecnologia fatalmente será destruída e perdida!

A missão dos personagens é proteger essa tecnologia. A única forma de fazê-lo é salvar esses canalhas… mas os mineradores em geral são pessoas comuns, alguns deles com famílias, e os proscritos sempre agiram como monstros. Vale a pena, mesmo, correr o risco de tomar a vida de uma dessas pessoas, uma só, para salvá-los? Quem não tem empatia merece empatia? E quem é a misteriosa figura interessada no confronto entre os personagens e os mineradores?

Eu usei aqui o Kishōtenketsu (ver AQUI) para estruturar esse texto a partir das informações dadas — um parágrafo de 450 toques para introdução, mais um para aprofundar a situação apresentada no primeiro, um terceiro inserindo o elemento complicador da situação e o quarto para amarrar os elementos necessários para essa aventura, inclusive o vilão e os dilemas envolvidos. Para mim é o suficiente. O importante é saber racionalizar essas combinações.

Imagine um “Os protagonistas apoiarão um contrabandista em uma cidade de Annelise mas precisarão lidar com pistas falsas enquanto enfrentam um caudilho”. Para, digamos, a Brigada fazer a receptação de um contrabando, eles estão passando por cima das regras e se darão bem mal se forem pegos. Para aparecer um caudilho em Annelise, a cidade em questão é um local muito distante e pobre — o tipo de elemento oculto por este mundo em nome de sua imagem.

“Os protagonistas libertarão um nobre nos subterrâneos do Asteroide Schulman mas precisarão lidar com falhas de segurança enquanto enfrentam um matador”. O Asteroide foi terraformado e modificado no Grande Vazio e talvez um jovem de nobreza tenha encontrado algo acidentalmente, permanecendo prisioneiro no subsolo enquanto não decidem seu destino. Talvez hajam espiões por lá (Schulman é o lar de pesquisas importantes para o Império) — e assim vai.

Enfim, é isso. Lembrem-se sempre: um cenário nunca está, ou nunca deveria estar, escrito em pedra. Mexam em tudo à vontade: este é só um instrumento e cabe ao mestre de jogo transformá-los em uma aventura de verdade, certo? Deixem seus comentários sobre as aventuras geradas em suas redes sociais e divirtam-se, ora!

Até a próxima!

2 comentários

  1. “Os protagonistas combaterão milicianos num espaçoporto na Zona Devastada mas precisarão lidar com uma queda enquanto enfrentam a TIAMAT”.

    Ok, essa se escreve sozinha. A Tiamat está fazendo contrabando pelo último espaçoporto funcional da Zona Devastada e vendendo produtos básicos por preços abusivos para a população local, presa em trabalho forçado pela dívida. A coisa toda é mantida em segredo para a Brigada não chegar e tentar ajudar pessoas miseráveis que estão sendo exploradas, sabe, coisas ruins para os negócios. Mas a movimentação suspeita é detectada em órbita e um grupo da Brigada Ligeira é enviado para investigar. Durante o conflito a Tiamat desiste de tentar abafar o caso e lança uma nave em rota de colisão com o espaçoporto, esperando que a explosão enterre o problema e toda a evidência para sempre.

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