Piores Jogadores (com Mechas) – III

E vamos a mais uma leva dos “Piores jogadores (com Mechas)” — as primeiras foram publicadas AQUIAQUItrazendo mais tipos de jogadores irritantes, problemáticos… e seus representantes nos animês de robôs gigantes! Se algum personagem animado já te deixou com vontade de estrangulá-lo e você teve o desprazer de encontrá-lo na sua mesa de jogo, você não está mais sozinho!

Antes, vou deixar claro mais uma vez (espero tê-lo feito nos posts anteriores): não há uma forma certa ou errada de jogar em si. Há apenas duas questões: “Você está se divertindo?”, e “Caso a primeira resposta seja ‘sim’, você não está sentando no caminho da diversão dos demais?” Se a resposta a ambas as perguntas for positiva, ótimo — caso contrário nós temos um problema…

E na certa vocês já devem ter tido algum tipo de experiência ruim nesse sentido ou conheceram jogadores-problema. Não se esqueçam: deixem comentários!

O Sociopata

Nena Trinity é uma maldita psicótica assassina… mas confesse:
você vaiou o Setsuna (desculpem pela má definição da imagem)!

Ele é mais comum em jogos de fantasia medieval, mas não se iludam: quase nenhum cenário ou sistema está livre dele (e o “quase” é por conta de raros RPGs muito pacíficos — esses, ele nem vai querer jogar). O Sociopata tira todos os problemas do seu caminho através de mortes, não se importando com as consequências — e dependendo do sistema, nem os civis estão a salvo dele (caso abate seja abate e os pontos de experiência venham de qualquer forma).

Nos Animes: Nena Trinity, de Gundam 00. Tudo bem, o character design da moça foi feito para fazê-la atraente — especialmente na primeira temporada — mas ela é a porcaria de uma assassina em massa (ao lado de seus irmãos)… e lembram de quando ela massacrou inocentes em um casamento apenas por estar se sentindo de saco cheio? Pois bem, imagine se em tese uma praga dessas estivesse ao lado de vocês e seus atos fossem associados ao nome de seu grupo!

Como lidar com uma Nena Trinity na sua mesa? Fazendo-a encarar as consequências de seus atos em grande estilo! Não haveria nada de errado, inclusive, se os demais jogadores se voltassem contra um personagem assim na mesa — seria uma forma deles mostrarem a qual lado todos pertencem e oferecer uma punição à altura para uma criatura desgraçada dessas. Depois disso seria o caso do jogador criar um personagem mais adequado — ou pular fora de uma vez.

O Chato

Bowie Emerson (AQUI) é um personagem tão, hum, querido que este
foi o único gif animado que encontrei com o personagem…

Imaginem um jogador que não gosta de determinado gênero mas, por fazer parte de um grupo, segue os demais… e isso se reflete em jogo: seu PC parece deslocado do contexto e o jogador, através dele, gosta de lembrar a todos o quanto preferia estar em outro lugar. Personagens “do contra” podem ser divertidos e até criar uma dinâmica interessante… mas não é este o caso aqui: seu personagem será apático e o jogador pode ser fonte de dispersão na mesa.

Nos Animes: Bowie Emerson, de Southern Cross (Bowie Grant em Robotech). Desde o começo ele verbaliza seu desinteresse em estar lá e, como coadjuvante, ele é quase figurativo. Seu alistamento, saberemos retroativamente, não ocorreu por vontade própria — e, quando Bowie se apaixona pela bela alienígena Música, o mimimi dele se torna insuportável. Aparentemente os roteiristas procuravam alguma coisa a se fazer com o desgraçado… e ele não colaborava!

Como lidar com um Bowie na sua mesa? Na verdade o personagem só ganhou relevância na trama ao desertar de seu time — e, analogamente, talvez seja melhor para o jogador fazer o mesmo. É claro, o mestre deve procurar um modo dele se envolver com a campanha… mas, caso isso não funcione, nem de longe temos um caso de expulsão aqui: ele provavelmente debandará por si só. Tudo bem, isso acontece. Convidem-no para sua mesa quando jogarem algo diferente.

O Leal e Estúpido

Suzaku Kururugi: na verdade, ele é um personagem bem-construído
no geral. Mas tem umas derrapadas meio caricatas e essa é uma delas.

O nome vem dos alinhamentos do D&D (Leal e bom, leal e neutro, etc.). É quando o senso comum das situações escapa a um personagem: ele não abre exceções mesmo quando a vida de todos está em risco. Caso isso seja feito deliberadamente pelo jogador, pode ser extremamente divertido — como personagem cômico, esse conceito é ótimo! O problema é quando essa atitude é fruto de má interpretação do conceito. Nesse caso, pode ser um estorvo para os demais…

Nos Animes: Suzaku Kururugi, de Code Geass. Ele segue rigorosamente as regras e acredita em transições lentas, seguras e graduais dentro da lei. Volta e meia isso é levado à risca demais — como quando, em uma situação envolvendo reféns, ele protesta contra o arrombamento de uma porta porque… “isso é contra as normas”. Suzaku é um caso leve, entretanto: um “Leal e Estúpido” terminal se colocaria na frente dessa porta, atrapalhando os companheiros.

Como lidar com um Suzaku na sua mesa? Na verdade esse não é um problema real — nos casos extremos, é só o fruto de uma má interpretação do jogador. Salvo se a intenção for cômica, é como imaginar um policial impossibilitado de impedir um assalto à sua frente, em um parque público, por causa de uma maldita placa de “Não pise na grama”! Então converse com o jogador amigavelmente — e, é bom lembrar, a evolução de Suzaku o levou para bem longe disso…

O Avacalhador

Pensem no Macross de 1982, no longa DYRL e em Macross Plus.
veio Nekki Basara e… (quem está no thumbnail do vídeo não é ele).

Uma coisa é jogar com um personagem bem-humorado, servindo de alívio cômico quando for preciso — mas sabendo agir quando tudo fica sério. Outro é criar um personagem deliberadamente zoado por conceito, esvaziando os momentos dramáticos da trama. O Avacalhador é isso. A princípio, ele pode até ser divertido — mas seu modus operandi engraçadinho acaba se tornando irritante para os demais, prejudicando a campanha. Tudo perde consistência perto dele.

Nos Animes: Nekki Basara, de Macross 7. Um cantor de personalidade bizarra e também um ás notável em combate — comandando seu robô ao tocar guitarra, entrando em batalhas e cantando para seus oponentes com a intenção de, assim, acabar com os combates (“Ouça a minha canção!”). Além disso, ele gera o “Anima Spiritia”, uma força vital que afeta os alienígenas Protodevilns. E o roteiro sempre embarca milagrosamente na dele… não, vocês não viram nada!

Como lidar com um Basara na sua mesa? Ora, um Basara nunca é crime de um só: se o mestre de jogo não topar, esse conceito não se cria! O problema é o mestre ir na onda desse jogador e, sem notar, por o resto do grupo (que não topou exatamente esse tom) na berlinda. Porém, se cercearmos os jogadores, eles preferirão jogar outra coisa. O ideal é o mestre e o jogador sentarem antes do jogo para discutir e conciliar ideias. Vamos arregaçar as mangas!

Este é um momento dramático. Os personagens estão entre a vida e a morte.
E de repente, surge entre eles um robô em forma de galinha. Pensem nisso.*

É bom deixar claro: ninguém quer tolher a diversão de ninguém — mas também ninguém quer ver a diversão de alguns bagunçar com a diversão dos demais. RPG é um divertimento coletivo, afinal. Na verdade, eu até entendo os motivos pelos quais o velho D&D restringia certos conceitos de personagens: simplesmente o risco do grupo desandar se tornava grande demais. Lembrem-se sempre, não há personagem ruim que não possa piorar e arrastar o grupo com ele.

Por outro lado alguns tipos de personagens péssimos para jogadores podem ser ótimos coadjuvantes e oponentes — ou até ter seu lugar em grupos bem especiais. O Sociopata pode se encaixar bem em um grupo aonde todos são personagens malignos (por exemplo, uma milícia criminosa no universo de Brigada Ligeira Estelar)! É claro, no final da campanha esses canalhas merecem uma punição à altura de seus crimes — e com juros! 

Até a próxima — e divirtam-se!

Nena Trinity: o lugar do sociopata não é entre os aliados.
é entre os inimigos. E eles devem ser levados muito a sério.

* Robô-Galinha por Emerson Tung. Visitem o site dele, o trabalho do sujeito é muito, muito bom e eu quis aproveitar o gancho para compartilhá-lo com vocês: http://emersontung.com/

DISCLAIMER: Gundam 00 e Code Geass são propriedades da Sunrise, Inc.; Macross 7, do Studio Nue; Southern Cross, da Tatsunoko Production Co., Ltd.; Robotech, da Harmony Gold USA, Inc. — todos os devidos direitos reservados.

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