A Campanha de Ficção Científica Militar

No novo BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG nós teremos várias possibilidades — dentro dos diferentes subgêneros da ficção científica — para sua campanha de robôs gigantes e eu já falei delas como um todo neste artigo AQUI. Após falarmos da Space Opera no primeiro texto dessa série (AQUI), o próximo passo é falar da Ficção Científica (FC) Militar. Isso não ocorre à toa: esta é profundamente ligada ao real robot desde o surgimento deste subgênero em 1979.

Na verdade, o conceito da FC militar é simples: é uma série de guerra, pura e simplesmente — mas em um contexto de ficção científica, tendo seus rumos afetados justamente por seus elementos mais especulativos ou fantásticos. Os personagens estão atolados até a medula em um conflito armado contra invasores, terroristas ou milicianos e embora possamos ter um elemento humano envolvido, o foco é esse grande inimigo a ser enfrentado batalha a batalha.

Como dito no artigo anterior, a Space Opera costuma absorver tudo à mão em nome da narrativa e a FC militar entra no bolo até por questão de praticidade: é interessante contar com uma infra-estrutura para o personagem, até para a batalha final. A diferença é a abordagem: na primeira, o destino de algo maior está nas mãos do heroísmo dos personagens. Na FC militar, estes podem até ser decisivos mas não passam de engrenagens em um esforço de guerra.

Aqui você não é nem um escolhido, nem um herói salvador das estrelas. Na FC Militar,
você é um soldado — e sua maior preocupação é sobreviver às suas missões!

Historicamente, o Real Robot nasceu como FC Militar: Mobile Suit Gundam, a série clássica de 1979, foi inspirado no Tropas Estelares de Robert A. Heinlein — autor veterano de ficção científica e já experiente no gênero graças a material juvenil como Space Cadet e Citizen of the Galaxy. Isso foi determinante para todos os seus sucessores: Macross (este tinha um pé na space opera e se bandearia para ela mais adiante), Dougram, Dumbine, SPT Layzner…

De modo geral, o tom do gênero reflete os tons dados aos materiais de guerra. Aventuresco? Pense em “Os Canhões de Navarone”. Heroico? “O Desafio das Águias” ou “A Águia Pousou”. Árido? “O Resgate do Soldado Ryan”. Dentro dessas abordagens, temos basicamente três espectros possíveis: glamourização, desconstrução e humanização. Independentemente de julgamentos morais, há bons exemplares do gênero em todos e os três podem se aplicar à sua campanha.

Glamourização: “ah, pilotamos máquinas bacanas e cheias de ataques
maneiros, tem um monte de meninas bonitas na base e vamos detonar uns fdp!”

A glamourização é quando você embeleza um conceito não tão belo ou faz dele… algo legal. Não há nada de errado nisso quando é um ato pensado em nome do entretenimento — pense nas batalhas espaciais da space opera — ou ao menos com responsabilidade. Ela só é perigosa quando atende a um discurso questionável* e, nesse caso, é bom abstrair esses elementos para apreciar as cenas de ação. Fechando o filme, ou a sessão de jogo, volte à razão sem culpa.

A desconstrução vai por outro caminho: a guerra é um inferno e você está enfronhado nele. Mesmo havendo um motivo justo para lutar, você e seus companheiros poderiam estar em casa, ao lado de suas famílias, mas agora precisam conviver com o lado duro do conflito, as mortes de amigos, o efeito deletério na vida das pessoas a serem defendidas… uma certa perda de alegria na vida. Não é preciso chegar a extremos hardcore — mas o tom geral é cinzento.

Desconstrução: “não importa se no futuro tivermos naves e disparos de
raio laser colorido — guerra sempre vai ser guerra e nela, pessoas morrem.”

Por fim, temos a humanização — talvez o melhor caminho do meio para muita gente. O ideal seria não haver conflito nenhum, mas os personagens estão lá e, sem querer, acabam formando uma espécie de família na qual, apesar de eventuais problemas e brigas, não se poderia confiar mais um no outro. As missões se sucedem, laços são forjados e todos tentam ter uma vida em meio a ela — talvez arrumar uma namorada? Tudo pode acabar a qualquer momento, ora!

“Mas você só está falando de filmes de guerra — cadê a ‘Ficção Científica’ da equação?” Bem, o uso de super-tecnologia em um conflito há de ter consequências e vocês lidarão com elas. Querem três exemplos dentro das animações de mecha, um para cada espectro respectivamente? Super Robot Wars Original Generation: The Inspector, Zeta Gundam e Superdimensional Fortress Macross (o classicão de 1982)! Estamos falando de séries de guerra… mas NO ESPAÇO!

Humanização: “Essa é uma guerra, todos podem morrer, mas esses personagens também
são gente como nós. Aprendemos a gostar deles e queremos ver como eles se saem.”

Chega até a ser tolice fazer grandes recomendações de referências animadas quando este é o padrão do gênero. Uma lista de séries obrigatórias será certamente uma boa inspiração nesse sentido — o google está cheio delas. Então é preferível nos voltarmos ao cenário: o padrão básico de BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG está nesse limiar difuso entre a ficção científica militar e a space opera e, sendo um real robot, o mestre de jogo vai se sentir em casa.

Dentro da Constelação do Sabre, é fácil encontrar focos para campanhas assim. Vocês são pilotos hussardos na frente de combate contra os proscritos ou enfrentando organizações terroristas como a TIAMAT. Talvez pertençam a própria Brigada. Talvez estejam nas forças de voluntários das luas de Ottokar ou Villaverde. Talvez sua luta seja outra e vocês estejam em um grupo rebelde como a Vanguarda Sideral, contra os abusos da nobreza. Há muitas opções.

Só para voltarmos um pouquinho à glamourização, um pouco de Super Robot Wars
Original Generation: The Inspector — a encarnação do U-HUUUUU!!! no gênero.

E vocês tem missões a cumprir. Participar de uma grande invasão secreta, de madrugada, contra uma base espacial. Infiltrar esquadrões em território hostil para destruir postos avançados. Proteger equipes logísticas de ataques inimigos. Libertar cidades tomadas pela milícia. Não é como resgatar a princesa e salvar o universo — mas precisa ser feito.

Um piloto hussardo precisa fazer aquilo que um piloto hussardo precisa fazer, correto?

Até a próxima.

* Águia de Aço é um exemplo perfeito disso. Eu adorava o filme na adolescência, mas… ouçam a (ótima) música-tema — AQUI — com atenção: There are walls and there are bridges / But no problems when you’re free / An adventure past the horizon / Always beckons me… — e no conselho do “sensei” (Louis Gossett, Jr.) para o protagonista: “Deus não dá às pessoas algo que ele não quer que seja usado — e ele te deu o toque”. Propaganda de alistamento, alguém?

7 comentários

  1. Cara este blog sozinho ja valeria um livro pra tanta coisa legal para dar ideias e a gente melhorar historias de mecha, Brigada Ligeira tem que virar mais medias, precisa de mais quadrinhos e sair em series ou alguma coisa, o material é bom demais pra ficar so no rpg…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s