A Campanha de Space Opera

No novo BRIGADA LIGEIRA ESTELAR RPG, nós teremos várias modalidades possíveis para sua campanha de robôs gigantes: Space Opera, Ficção Científica Militar, Faroeste Espacial, Pós-Cyber, Ficção Científica “Clássica”, Folhetim Espacial, Pós-Apocalíptico, Cyberpunk… eu já falei delas como um todo neste artigo AQUI — mas creio ser este um bom momento para destrincharmos cada uma em detalhes. Para começarmos, falaremos do padrão básico — a Space Opera.

No artigo original, ela é definida por “guerras espaciais, aventuras cavalheirescas e melodramáticas, batalhas interplanetárias, ações arriscadas… a Space Opera bebe do capa-e-espada e do faroeste mas incorpora elementos de outros gêneros quando bem entende, sempre com uma camada pulp de aventura. Traz oponentes com habilidades avançadas, armas futuristas e tecnologias inimagináveis. Tudo pode acontecer: a escala dos eventos pode ser gigantesca.”

A Space Opera é ampla em seu escopo e seu tom é ditado pelos elementos clássicos esperados dela: heróis (sim!) maiores do que a vida, batalhas espaciais, mega-ameaças em escala gigantesca… Alguns fãs de ficção científica preferem enquadrar a Space Opera como mais próxima da fantasia para afastá-la da “ficção científica séria” — mas isso é negar sua identidade própria e o quanto ela é ligada às aspirações humanas. Vamos esmiuçá-la um pouco melhor.

Sim, batalhas espaciais, grandes batalhas espaciais, com sequências épicas
descrevendo o lançamento de naves antes do confronto começar. Pense em espetáculo!

A princípio, Space Opera é sinônimo de épico: o mundo, a galáxia ou o universo está em perigo e assim começa a jornada que forjará um herói. A sci-fi hard se fez em oposição a esse conceito mas muitas space operas (especialmente nos últimos anos, graças à “nova space opera” lá fora), combinam aventuras repletas de ação com algum rigor científico. Mesmo assim há uma regra básica: a ciência “dura” nunca deve se tornar um obstáculo para a narrativa.

Com isso, de forma prática, detalhes como o funcionamento do motor cósmico em Brigada Ligeira Estelar não são realmente importantes — salvo SE tiverem algum tipo de função narrativa dentro de alguma aventura (“e se nossa belonave estiver sob o efeito de uma corrupção da energia cósmica graças ao seu uso no espaço-tempo?”). Seu foco aqui é a jornada heróica dos personagens, as intrigas políticas (pense capa-e-espada) e as ameaças a serem vencidas!

Ou seja, se falarem “Ah, mas viagem acima da velocidade da luz não rola”, “Ah, robô gigante é pouco prático
e impossível”, “Ah, não dá pra fazer dogfight no espaço”
, mande-os pastar! O importante é servir ao cenário!

Outro elemento importante são os diferentes locais entre os quais os personagens circulam. De modo geral eles deveriam ser um estímulo à imaginação. A inclusão das luas terraformadas de Dabog ou de um mundo gelado povoado por andróides como Saumenkar não foi gratuita — a ideia é mostrar para o jogador que o cenário pode oferecer expansão e variedade (mesmo Brigada estando mais próxima de alguns ditames da citada Nova Space Opera… com liberdades).

Só para fechar essa parte, o fator heróico é importante em uma space opera clássica. Ninguém está falando de super-homens: falamos de gente corajosa arriscando a pele por conta de uma causa maior — independentemente das suas motivações. Mesmo tipos cínicos e relutantes tendem a se mostrar leais de alguma forma (sem perder a pose de durão). Ninguém está exigindo deles uma perfeição paladinesca mas, quando alguém precisar de ajuda… eles estarão lá.

Buddy Complex não é uma space opera, mas é um bom exemplo de anime de mecha com um
(co-)protagonista mais visivelmente heróico (Aoba Watase). Ele se enquadra na descrição.

E quanto às referências de sempre? As séries de Leiji Matsumoto (como Patrulha Estelar, Capitão Harlock e seus remakes) são space operas e mesmo sofrendo alguns reveses nesse sentido, se mostraram muito influentes.* Crusher Joe e Space Adventure Cobra também são ótimos exemplares da vertente nos animes. Ironicamente, poucos materiais de mecha caem por completo nessa categoria… embora vários caiam por tabela (sim, Gundam, estou olhando para você).

Isso ocorre porque o Real Robot nasceu como FC Militar mas a space opera sempre incorpora elementos de outras vertentes sci-fi a seu favor!** E mesmo contando com mechas em várias space operas (Heroic Age, Vandread, Majestic Prince, a franquia Macross***, Voltron…), boa parte dos exemplares do gênero na animação japonesa não os tem — e são boa referência para suas campanhas de BRIGADA LIGEIRA ESTELAR mesmo assim. Opção não falta, podem acreditar!

Se Macross começou dentro do escopo da FC militar, ele já caminhava em uma fronteira
nebulosa com a Space Opera. Nas sequências, ele cruzou assumidamente a linha.

Por fim, como seria uma campanha padrão de space opera na Constelação do Sabre? Bom, as apostas precisam ser altas: os personagens podem até não ter ideia da verdadeira ameaça e tudo pode começar em escalas menores, mas tudo culmina para esse confronto final no espaço contra uma ameaça maior do que a vida. Não é necessária uma ameaça tão exagerada quanto a apresentada no artigo “O Tom Épico”, AQUI mas é preciso levar a uma grande batalha final.

Então temos uma ideia simples: o vilão quer chegar a um grande cemitério de naves do grande vazio escondido em alguma lua da Constelação. No final, os personagens precisarão deter uma grande armada antes de… ah, isso é chupado da Trilogia de Thrawn em Guerra nas Estrelas? Na mesa de jogo não existe polícia do copyright e, de qualquer forma, seus jogadores farão dessa linha básica de trama um conceito totalmente diferente. Então qual é o problema?

Vamos admitir que Star Wars é o paradigma da space opera há mais de duas gerações —
e boa parte dos animes de ficção científica japoneses talvez nem existissem sem ele?

O importante é o meio do caminho. São os duelos a serem enfrentados. São as donzelas a ser salvas que se tornam interesses amorosos em potencial. É o vilão sinistro a dar trabalho para o grupo antes do final. São as viagens a mundos diferentes e perigosos (“Moretz? O mundo dos FUNGOS MORTAIS?”). São as esquadrilhas de naves lançadas antes da batalha épica.

É a aventura, no fim. Mas não é essa a razão pela qual todos rolam seus dados?

Até a próxima.

* A guinada para a sci-fi séria na animação japonesa derrubou, nos anos 80, a popularidade das space operas imaginativas de Matsumoto. Captain Harlock: Endless Orbit SSX foi encerrado prematuramente por isso.
** O
Guerra das Estrelas de 1977 reuniu elementos de capa-e-espada, faroeste e FC militar ao compor uma space opera. Comparem com Rogue One — esta, uma FC militar pura.
*** Aliens criados por antigas civilizações? Vampiros extra-dimensionais? Insetos espaciais? A franquia Macross até começou na linha divisória com a FC militar, mas já se bandeou para a
space opera há muito.

8 comentários

  1. Espero que ainda tenhamos muito mais matérias aqui, o material de cá serve para todos amantes de FC e gênero Mecha e mesmo direcionado a BLE, ele funciona para toda campanha futurista, parabéns, BLE ja é, acredito, o maior e melhor cenário de Ficção Cientifica nacional e merecia novas mídias…

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